Negócio seguinte. Três reis magrinhos ouviram um plá de
que tinha nascido um Guri. Viram o cometa no Oriente e tal
e se flagraram que o guri tinha pintado por lá. Os profetas, que não eram de dar cascata, já tinham dicado o troço: em
Belém, da Judeia, vai nascer o Salvador, e tá falado. Os três
magrinhos se mandaram. Mas deram o maior fora. Em vez
de irem direto para Belém, como mandava o catálogo,
resolveram dar uma incerta no velho Herodes, em
Jerusalém. Pra quê! Chegaram lá de boca aberta e
entregaram toda a trama. Perguntaram: onde está o rei
que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente e
viemos adorá-lo. Quer dizer, pegou mal. Muito mal. O velho
Herodes, que era oligão, ficou grilado. Que rei era aquele?
Ele é que era o dono da praça. Mas comeu em boca e disse:
joia. Onde é que esse guri vai se apresentar? Em que canal?
Quem é o empresário? Tem baixo elétrico? Quero saber
tudo. Os magrinhos disseram que iam flagrar o Guri e na
volta dicavam tudo para o coroa.
VERISSIMO, L. F. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática,
1994.