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Q631044 Medicina
Mulher de 52 anos, hábito sedentário, tabagista, IMC = 40 kg/m2 , em uso de losartana, amlodipina, hidroclorotiazida, metformina e sinvastatina, sem antecedentes cardiovasculares, depois de ler artigo na internet consulta o médico do seu local de trabalho se deveria iniciar o uso de ácido acetilsalicílico. A opinião correta do médico deve se basear no conhecimento de que o uso de aspirina, no caso dessa paciente,
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Gabarito Comentado – Aspirina em Prevenção Primária Cardiovascular

Tema central: Uso do ácido acetilsalicílico (AAS) na prevenção primária de eventos cardiovasculares, com ênfase em pacientes de alto risco, porém sem doença cardiovascular prévia.

Justificativa da alternativa correta (A): O uso de aspirina "pode diminuir significativamente a chance de infarto do miocárdio não fatal" em pacientes com alto risco cardiovascular, conforme as diretrizes brasileiras e internacionais. Segundo a Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular (2019): “O uso de antiplaquetários, em especial a aspirina em dose baixa, reduz a morbimortalidade cardiovascular de pacientes que apresentam hipertensão e doença cardiovascular manifesta. Em prevenção primária, pode ser considerado em indivíduos de alto risco.”

Nesta paciente, observam-se fatores de risco múltiplos: sedentarismo, tabagismo, obesidade grau III, hipertensão, diabetes e dislipidemia – o que eleva seu risco cardiovascular a ponto de ser analisado o benefício do AAS, mesmo sem história prévia de eventos cardiovasculares.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Incorreta: Embora o AAS aumente o risco de sangramentos (gastrointestinal e raramente intracraniano), o risco não é “muito aumentado” nem contraindica de forma absoluta em contextos de alto risco cardiovascular. Decisão deve ser individualizada.
  • C) Incorreta: Não há evidência consistente de redução significativa da mortalidade cardiovascular global na prevenção primária; o principal benefício é na redução de infarto não fatal.
  • D) Incorreta: A indicação de AAS pode ser considerada mesmo sem antecedentes de doença cardiovascular, quando há alto risco, como é o caso desta paciente.
  • E) Incorreta: O efeito na prevenção primária é modesto e progressivo, não sendo “determinante” nem imediato para reduzir eventos isquêmicos a curto prazo.

Destaques de interpretação: Atenção às palavras como “significativamente”, “determinante” e “muito aumentado”, que costumam ser usadas como pegadinhas em provas. Analise se a evidência realmente suporta essas expressões.

Referências e Protocolos: Além da Diretriz Brasileira (2019), a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA alerta para o equilíbrio de riscos e benefícios do AAS em prevenção primária, destacando que cada decisão deve ser individualizada conforme perfil do paciente.

Resumo: O uso de AAS pode ser pertinente para redução de infarto não fatal em prevenção primária de pacientes com alto risco, como na paciente descrita, desde que devidamente ponderados os riscos hemorrágicos.

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SUMMARY AND RECOMMENDATIONS

●In patients without prior cardiovascular disease events, aspirin decreases the risk of nonfatal myocardial infarction and likely results in small decreases in overall mortality but increases the risk of major bleeding. Aspirin possibly reduces the risk of colorectal cancer over long-term follow-up (with >10 years of treatment). (See 'Prevention of CVD events' above and 'Prevention of cancer' above and 'Reducing all-cause mortality' above and 'Bleeding' above.)

 

●Estimates of the very small absolute benefits and risks of aspirin in primary prevention are provided in a table (table 1). Clinicians can use these estimates as a starting point for discussions with individual patients. Not all informed patients will choose to use aspirin and individual discussion is imperative. (See 'Assessing benefits and risks' above.)

 

●Factors to be considered in this discussion include assessment of the individual's risk for each outcome (cardiovascular events, colorectal cancer, bleeding, and total mortality); assessment of the relative value the individual places on preventing specific outcomes; assessment of the patient's attitude to inconvenience of long-term daily therapy; and value placed on immediate increase in risk of bleeding versus delayed potential benefit on death. (See 'Individualizing decisions' above.)

 

●In many adults, the benefits of aspirin exceed the risks (principally bleeding). For individuals age ≥50 years without excess bleeding risk, we suggest low-dose daily aspirin (75 to 100 mg) (Grade 2B). Patients who are more concerned about the bleeding risks than the potential benefits may reasonably choose to not take aspirin for primary prevention. (See 'Assessing benefits and risks' above.)

 

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