Assinale a opção em que o trecho retirado do texto revela n...

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Q3917256 Português

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



    Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!


    Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...


(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.) 

Assinale a opção em que o trecho retirado do texto revela noção de hipótese.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico: a questão pede a identificação de hipótese, entendida como situação imaginada e não realizada. Em "Daria a luz dos seus olhos, — ah, antes ela fosse cega!", o trecho "antes ela fosse cega" projeta uma condição irreal, desejada como alternativa à humilhação presente, o que sustenta o gabarito B.

Tema central: hipótese
Análise das alternativas
A
Errada
O trecho exprime uma generalização assertiva sobre "as insensíveis": "Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz." Há linguagem figurada e avaliação geral, mas não há projeção de situação eventual ou imaginada. O valor é gnômico/assertivo, não hipotético.
B
Certa
A alternativa correta se sustenta porque o trecho não apresenta um fato efetivo, mas uma situação imaginada pela personagem como preferível à realidade que está vivendo. Em "antes ela fosse cega", não se afirma que ela é cega; formula-se um desejo em forma de condição irreal. É exatamente esse valor de estado suposto, não realizado, que atende ao comando da questão.
C
Errada
Em "Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime.", o enunciado é apresentado como fato pretérito no raciocínio da personagem. A construção é assertiva: indica ocorrência passada, não possibilidade, desejo ou condição irreal. O ponto de vista interno da personagem não transforma o trecho em hipótese.
D
Errada
O trecho "(...) e porque não sabia esconder a sua ventura." introduz causa/explicação no encadeamento argumentativo da personagem. O conector "porque" marca relação causal, não eventualidade. Portanto, a alternativa não traz hipótese, mas explicação.
E
Errada
Em "(...) aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras.", há constatação de uma situação em curso, tomada como consequência do que vinha sendo dito. O trecho afirma um dado do presente narrativo/resultativo, e não uma condição suposta ou imaginada.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre linguagem emotiva ou figurada e hipótese. O fato de um trecho ser subjetivo ou expressivo não basta; só a alternativa B projeta uma situação irreal desejada, isto é, uma hipótese contrafactual.
Dica para questões semelhantes
  • Separe enunciado factual de enunciado imaginado: hipótese envolve estado suposto, eventual ou irreal, não fato afirmado.
  • Não confunda metáfora, abstração ou tom emotivo com hipótese; isso só vale quando houver projeção de situação não realizada.
  • Observe se o trecho apresenta causa, consequência, constatação ou generalização; esses valores semânticos excluem a noção de hipótese quando não há eventualidade.

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Futuro do Pretérito - Ideia de Hipótese

Hipótese: modo subjuntivo e também o futuro do pretérito do indicativo.

Gabarito letra B

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Nao quer dizer que "deu", mas que poderia dar. Nesse caso: "Daria a luz.."

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Em português, quando queremos expressar uma hipótese, um desejo ou algo que não é uma certeza absoluta (um fato), usamos o tempo verbal chamado Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (aquelas palavras que terminam em -sse).

O verbo "daria" está no Futuro do Pretérito, que também indica uma ação que dependeria de uma condição (uma hipótese).

Achei que fosse imperativo, por ser um desejo

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