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Q3917249 Português

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



    Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!


    Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...


(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.) 

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Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a predominância da narração, evidenciada por personagens inseridas em uma situação, com ações, estados e conflito em desenvolvimento. Isso se confirma no trecho “Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência.” Como o fragmento organiza um recorte de enredo, o gabarito é D.

Tema central: tipologia textual predominante
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O fragmento não instrui, não prescreve conduta e não dirige comandos ao leitor ou a um interlocutor. Faltam marcas de injunção, como imperativos, orientações práticas ou procedimentos a seguir.
B
Errada
Incorreta. Não há tese explícita sendo defendida para persuadir o leitor, nem organização de argumentos com essa finalidade. As reflexões de Camila sobre mulheres, dor e marido pertencem à interioridade da personagem dentro da cena ficcional, e não a uma estrutura argumentativa predominante.
C
Errada
Incorreta. Há descrição, mas ela é acessória e serve para compor a cena narrativa. Expressões como “com as mãos nos bolsos” e “com as costas para a janela” caracterizam postura e ambiente, porém o núcleo do fragmento está no andamento da situação e no conflito entre as personagens.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o fragmento organiza um recorte de enredo: apresenta personagens nomeadas, mostra seus movimentos e estados, instala um conflito familiar e retoma acontecimentos ligados a esse conflito. As passagens descritivas e reflexivas aparecem subordinadas a essa cena em desenvolvimento, não como finalidade principal do texto. Por isso, o que define a classificação é a sequência narrativa predominante.
E
Errada
Incorreta. O texto não expõe um tema de modo objetivo nem organiza informações para explicar um assunto. Em vez de finalidade informativa-explicativa, há encenação de uma situação ficcional com carga dramática.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tipologia predominante e presença de trechos de outra natureza: há descrição física e reflexão da personagem, mas esses elementos estão a serviço da narração e não mudam a classificação principal do fragmento.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro se há personagens em situação, ação em curso e conflito: isso pesa a favor da narração.
  • Não classifique o texto por um trecho isolado de descrição; verifique se a descrição é autônoma ou se apenas compõe uma cena.
  • Diferencie reflexão de personagem de argumentação do texto: sem tese dirigida ao leitor e sem estrutura persuasiva, não há predominância argumentativa.

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Comentários

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Dona FGV tem uma paixão nesse tema.

O texto narrativo funciona como se fosse um vídeo, porque ele conta uma história em movimento, com ações, personagens e acontecimentos que se desenrolam no tempo. Já o texto descritivo é como uma imagem, porque ele foca em detalhes, características e aspectos estáticos, permitindo que o leitor visualize mentalmente aquilo que está sendo descrito.

Correta D

no começo aparenta ser descritivo, marquei D.

o texto é todo descritivo, detalha objetos, pessoas, o lugar onde elas estão...tem adjetivos. Masssss a FGV coloca como narrativo. difícil viu!

fui seca na C

“Mário recomeçou a passear”

“Camila .... procurava uma palavra”

“o filho a julgasse”

progressao temporal / acao / movimento / evolucao = narrativo

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