Analise as afirmações a seguir, que tratam de concordância ...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Garnier
Crônica publicada por Machado de Assis em outubro de 1893, após a morte do livreiro e editor B. L. Garnier, cuja livraria funcionava na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.
Durante meio século, Garnier não fez outra coisa, senão estar ali, naquele mesmo lugar, trabalhando. Já enfermo desde alguns anos, com a morte no peito, descia todos os dias de Santa Teresa para a loja, de onde regressava antes de cair a noite.
[...] os cemitérios são tristes, não em si mesmos, ao contrário. Quando outro dia fui a enterrar o nosso velho livreiro, vi entrar no de S. João Batista, já acabada a cerimônia e o trabalho, um bando de crianças que iam divertir-se. Iam alegres, como quem não pisa memórias nem saudades.
Vivos há-os ainda, e dos bons, que alguma coisa se lembrarão daquela casa e do homem que a fez e perfez. Editar obras jurídicas ou escolares, não é mui difícil; a necessidade é grande, a procura certa. [...] Quem a vê agora, fechadas as portas, trancados os mostradores, à espera da justiça, do inventário e dos herdeiros, há de sentir que falta alguma coisa à rua.
Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se transformou em pena, porque no dia em que devera libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza era também o do castigo. [...] Valha sequer a memória, ainda que perdida nas páginas dos dicionários biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que neste país novo ocupou a vida inteira em criar uma indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma sepultura perpétua. Perpétua!
Vocabulário: perfez: concluiu, completou (do verbo "perfazer"). mui: muito. labutações: trabalhos árduos. devera: deveria. contos de réis: unidade de conta da antiga moeda brasileira.
ASSIS, Machado de. Garnier. In: ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. v. 2. Publicado originalmente em Páginas recolhidas (Rio de Janeiro: Garnier, 1906). Disponível em:
https://machado.mec.gov.br/obra-completa-lista/item/download/44_efbd a0d80ae2b6fd9a0cab326fad708c. Acesso em: 16 set. 2026. (Fragmento adaptado: supressões indicadas por [...] e grafia atualizada conforme o Acordo Ortográfico vigente.)
(__) Em "um bando de crianças que iam divertir-se", a forma "iam" contraria a norma-padrão, pois o pronome relativo retoma o coletivo "bando", núcleo do sintagma, o que impõe o verbo no singular.
(__) Em "já acabada a cerimônia e o trabalho", o particípio anteposto aos dois núcleos concorda com o mais próximo, construção que a norma-padrão abona como concordância atrativa.
(__) Em "Vivos há-os ainda, e dos bons", o verbo "haver" fica no singular por ser impessoal no sentido de existir, e o pronome "os", que retoma "vivos", exerce a função de objeto direto.
(__) Em "fechadas as portas, trancados os mostradores", os particípios concordam com os substantivos porque estes exercem, nas orações reduzidas, a função de objeto direto de "fechar" e "trancar".
(__) Em "que proveito deram a esse homem as suas labutações?", a forma "deram" concorda com o sujeito posposto "as suas labutações", e "que proveito" exerce a função de objeto direto.
A sequência CORRETA, de cima para baixo é:
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GAB. C
(_F_) Em "um bando de crianças que iam divertir-se", a forma "iam" contraria a norma-padrão, pois o pronome relativo retoma o coletivo "bando", núcleo do sintagma, o que impõe o verbo no singular.
- Falso. Quando o antecedente do pronome relativo "que" é um sujeito coletivo "um bando de crianças", a norma-padrão admite dupla concordância: o verbo pode concordar no singular com o núcleo ( bando "ia") ou no plural com o termo mais próximo (crianças "iam"). Portanto, a forma "iam" não contraria a norma-padrão.
(_V_) Em "já acabada a cerimônia e o trabalho", o particípio anteposto aos dois núcleos concorda com o mais próximo, construção que a norma-padrão abona como concordância atrativa.
- Verdadeiro. O particípio “acabada” concorda com “cerimônia” (feminino singular), o núcleo mais próximo. A norma-padrão autoriza a concordância atrativa.
(_V_) Em "Vivos há-os ainda, e dos bons", o verbo "haver" fica no singular por ser impessoal no sentido de existir, e o pronome "os", que retoma "vivos", exerce a função de objeto direto.
- Verdadeiro. O verbo haver com sentido de "existir" é impessoal (permanece fixo na 3ª pessoa do singular) e seu complemento sintático é um objeto direto, aqui representado pelo pronome em ênclise -os, que retoma o adjetivo substantivado "vivos".
(_F_) Em "fechadas as portas, trancados os mostradores", os particípios concordam com os substantivos porque estes exercem, nas orações reduzidas, a função de objeto direto de "fechar" e "trancar".
- Falso. Os substantivos “portas” e “mostradores” são sujeitos pacientes das orações reduzidas de particípio (voz passiva), e não objetos diretos.
(_V_) Em "que proveito deram a esse homem as suas labutações?", a forma "deram" concorda com o sujeito posposto "as suas labutações", e "que proveito" exerce a função de objeto direto.
- Verdadeiro. Na oração interrogativa, a ordem sintática está invertida: o sujeito posposto é "as suas labutações" (plural, levando o verbo para "deram"), e o segmento "que proveito" funciona como o objeto direto do verbo transitivo direto e indireto "dar" : "as labutações deram que proveito a esse homem?".
JOSUÉ 1:9 ♥
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