Uma mulher de 50 anos, com o diagnóstico de transtorno esqu...
Uma mulher de 50 anos, com o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo, queixa-se de “tiques nervosos”. Nos últimos anos, ela foi medicada com decanoato de haloperidol 100 mg por via intramuscular a cada 4 semanas. Nega sintomas afetivos significativos na consulta, mas queixa-se de alucinações auditivas crônicas de “sussurros” sem comandos. Não há ideação suicida ou homicida. Ao exame, nota-se que ela coloca a língua para dentro e para fora da boca e tem movimentos repetitivos e rítmicos das mãos e dos pés.
Pode-se concluir que a paciente apresenta:
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Tema central da questão: O enunciado aborda os efeitos adversos motores de antipsicóticos, especificamente movimentos involuntários induzidos pelo uso prolongado de haloperidol (antipsicótico típico).
Discinesia tardia – alternativa correta (D): A discinesia tardia corresponde a movimentos involuntários, repetitivos, rítmicos e estereotipados, principalmente na face, língua (protrusão recorrente), mãos e pés, geralmente surgindo após uso prolongado de antipsicóticos típicos, como haloperidol. É causada por uma hipersensibilidade dos receptores dopaminérgicos estriatais após bloqueio crônico, segundo as principais obras de psiquiatria como Kapczinski, Dalgalarrondo e o DSM-5.
No caso, a paciente faz uso crônico de haloperidol e apresenta o quadro típico: movimentos repetitivos orais e limbais após anos de medicação. Isso afasta outros diagnósticos e confirma a alternativa D.
Análise das alternativas incorretas:
A) Acatisia: É caracterizada por inquietação motora (impulso irresistível de se mover, andar ou balançar), e não por movimentos rítmicos estereotipados. Não envolve protrusão da língua ou movimentos repetitivos de mãos e pés como descrito.
B) Parkinsonismo: Ocorre rigidez, bradicinesia e tremor de repouso, parecendo com o Parkinson idiopático. Não há, porém, movimentos involuntários coreiformes, de repetição, como na discinesia tardia.
C) Tiques motores: São movimentos rápidos, súbitos e recorrentes, muitas vezes precedidos de desconforto ou impulso prévio, diferindo da manifestação rítmica, crônica e prolongada da discinesia tardia.
E) Reação distônica aguda: Surge no início do tratamento ou após aumento de dose, com espasmos musculares sustentados (ex: torcicolo, crise oculógira), não sendo compatível com o quadro crônico e repetitivo aqui apresentado.
Estrategia de interpretação: Atenção aos termos “uso prolongado”, “movimentos rítmicos/repetitivos” e protrusão da língua. São pistas que sugerem fortemente discinesia tardia. Questões assim costumam tentar enganar confundindo com outras síndromes extrapiramidais (acatisia, parkinsonismo, distonia), mas as principais diferenças são: cronologia, tipo de movimento e grupos musculares afetados.
Resumo: A paciente se enquadra perfeitamente no diagnóstico clínico de discinesia tardia, por uso crônico de antipsicótico e sintomas típicos. Saber diferenciar síndromes extrapiramidais é imprescindível para concursos!
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