“A rotina de passar horas seguidas diante de telas, seja pa...

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Q3614831 Português
Você pode estar sofrendo de fadiga digital e nem percebeu


   Nos últimos anos, o avanço das tecnologias digitais e a popularização do trabalho remoto transformaram a forma como as pessoas se relacionam com o ambiente virtual. A rotina de passar horas seguidas diante de telas, seja para atividades profissionais, estudo ou lazer, tornou-se parte do cotidiano de milhões de indivíduos. Esse novo cenário trouxe à tona um fenômeno cada vez mais discutido: o surgimento de tipos inéditos de cansaço mental associados às longas jornadas on-line.

   O esgotamento provocado pelo uso prolongado de dispositivos digitais vai além do simples cansaço físico. Muitas pessoas relatam sintomas como dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de esvaziamento mental após períodos extensos conectados. Esse quadro tem chamado a atenção de pesquisadores e profissionais da saúde, que buscam compreender as causas e impactos desse fenômeno no bem-estar da população. Recentemente, instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e universidades de referência, como a Universidade de São Paulo, vêm promovendo estudos para entender melhor a relação entre o ambiente digital e a saúde mental, trazendo novas perspectivas sobre o tema.

   Estudos recentes indicam que a exposição contínua a estímulos digitais pode sobrecarregar áreas do cérebro responsáveis pela atenção e processamento de informações. O excesso de notificações, reuniões virtuais e multitarefas digitais exige uma adaptação constante, levando à chamada fadiga digital. Esse tipo de exaustão mental difere do cansaço tradicional, pois está relacionado à hiperestimulação e à dificuldade de desconectar-se do ambiente virtual.

   Além disso, a ausência de pausas regulares e a falta de interação presencial contribuem para o aumento do estresse e da ansiedade. O cérebro, ao ser submetido a longos períodos de atividade on-line, tende a apresentar sinais de esgotamento, como lapsos de memória e sensação de confusão mental. Tais sintomas são cada vez mais comuns em profissionais que atuam em home office ou estudantes em regime remoto.

   O esgotamento causado pelas longas jornadas on-line possui características distintas em relação ao estresse convencional. Enquanto o estresse físico está geralmente associado a esforços corporais ou preocupações pontuais, o cansaço digital resulta da sobrecarga de informações e da necessidade de estar sempre disponível no ambiente virtual.

   Além disso, a ausência de limites claros entre trabalho, lazer e vida pessoal intensifica o desgaste mental. O acesso constante a redes sociais, e-mails e aplicativos de mensagens faz com que o cérebro permaneça em estado de alerta, dificultando o relaxamento e a recuperação das energias.

   Para reduzir os efeitos do cansaço mental digital, especialistas recomendam adotar algumas estratégias simples no dia a dia. Entre elas, destaca-se a importância de realizar pausas regulares durante o uso de dispositivos eletrônicos, evitando períodos prolongados sem descanso. A prática de atividades físicas e o contato com ambientes naturais também contribuem para aliviar a tensão acumulada.

   Outra medida eficaz é estabelecer horários definidos para o uso de tecnologias, separando momentos de trabalho, estudo e lazer. Desativar notificações não essenciais e priorizar interações presenciais sempre que possível são atitudes que ajudam a preservar a saúde mental e a qualidade de vida em um mundo cada vez mais conectado. Empresas como Google e Apple têm implementado ferramentas em seus dispositivos para auxiliar os usuários na gestão do tempo de tela, facilitando o equilíbrio entre o digital e o offline.


(Disponível em: https://www.em.com.br/emfoco. Acesso em: julho de 2025. Adaptado.)
“A rotina de passar horas seguidas diante de telas, seja para atividades profissionais, estudo ou lazer, tornou-se parte do cotidiano de milhões de indivíduos.” (1º§). Quanto ao excerto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Esta questão envolve análise sintática com foco em termos acessórios da oração (adjuntos adverbiais e adnominais), além da correta interpretação do sujeito, do verbo de ligação e do predicativo. Exige conhecimento da norma-padrão para identificar o que pode ou não ser retirado da frase sem prejuízo ao sentido principal.

Justificativa da alternativa correta (D):
A expressão “seja para atividades profissionais, estudo ou lazer” especifica circunstâncias do uso das telas, funcionando como um termo acessório da oração (adjunto adverbial de finalidade). Como ensina a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), termos acessórios podem ser retirados sem afetar o núcleo do sentido. Se retirarmos tal trecho, a ideia central de “A rotina de passar horas seguidas diante de telas tornou-se parte do cotidiano...” permanece intacta. Logo, a alternativa D está correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. O verbo “tornar-se” é verbo de ligação e liga o sujeito ao seu predicativo, não a um adjunto adverbial. No exemplo, conecta “A rotina...” ao predicativo “parte do cotidiano de milhões de indivíduos”.

B) Errada. Pela norma-padrão, o verbo “tornou-se” não é intransitivo, pois exige um predicativo do sujeito para completar o sentido. Ex.: “A rotina tornou-se cansativa.” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

C) Errada. O núcleo do sujeito não é “horas seguidas diante de telas”, mas sim “A rotina”. “De passar horas seguidas diante de telas” é expansão do sujeito (adjunto adnominal), detalhando qual rotina.

Pontos-chave para provas: Fique atento(a) quando a banca mencionar remoção de termos: se o termo for acessório (adjunto adverbial, adnominal, ou aposto), usualmente pode ser retirado sem perder o sentido essencial da frase. Observe sempre o núcleo do sujeito e a função dos verbos de ligação.

Estratégia: Ao identificar um trecho entre vírgulas especificando finalidade, causa ou condição, teste a sua retirada: se a frase conserva sentido claro, provavelmente é acessório.

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Comentários

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) O verbo “tornar-se” relaciona sujeito e adjunto adverbial.

  • Incorreta. O verbo “tornar-se”, nesse contexto, é um verbo de ligação. Ele não relaciona o sujeito a uma circunstância (adjunto adverbial), mas sim a uma característica ou estado, que é o predicativo do sujeito ("parte do cotidiano de milhões de indivíduos").

B) O verbo “tornou-se” é intransitivo, por isso não exige complemento verbal.

  • Incorreta. A classificação correta do verbo na frase é verbo de ligação, e não intransitivo. Verbos de ligação, por definição, exigem um predicativo do sujeito para completar seu sentido, e não um complemento verbal (como objeto direto ou indireto).

C) “horas seguidas diante de telas” é o núcleo do sujeito do verbo “tornar-se”.

  • Incorreta. Para achar o sujeito, perguntamos ao verbo: "O que se tornou parte do cotidiano?". A resposta é "A rotina de passar horas seguidas diante de telas...". O núcleo (a palavra principal) desse sujeito é "rotina". O restante da expressão ("de passar horas seguidas...") caracteriza esse núcleo.

D) “seja para atividades profissionais, estudo ou lazer” é um trecho acessório; portanto, pode ser retirado do excerto sem comprometer o sentido principal.

  • Correta. Esse trecho, isolado por vírgulas, tem função explicativa. Ele serve para dar exemplos das atividades que compõem a "rotina", mas não é essencial para a estrutura principal da frase. Se o retirarmos, a oração continua com sentido completo: "A rotina de passar horas seguidas diante de telas tornou-se parte do cotidiano de milhões de indivíduos.".

Seria um aposto explicativo, portanto?

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