Ao chegar ao local do crime e constatar o corpo da vítima, o...
Ao chegar ao local do crime e constatar o corpo da vítima, o perito escreve em seu laudo: “no momento, observo uma constrição no pescoço da vítima, exercido por um laço cuja extremidade se acha fixa a um ponto, sendo a força atuante o peso do próprio corpo.” Ao analisar o laudo, constata-se, a princípio, que a morte se deu:
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Tema central: Asfixiologia forense por constrição cervical. A questão diferencia mecanismos de asfixia mecânica envolvendo o pescoço: enforcamento, estrangulamento e esganadura, além de causas não asfíxicas.
Alternativa correta: E — enforcamento. Justifica-se porque o laudo descreve laço com extremidade fixa a um ponto e a força atuante sendo o peso do próprio corpo, definição clássica de enforcamento. Achados típicos: sulco de enforcamento alto no pescoço, oblíquo, geralmente incompleto e em “V” no ponto de sustentação, com pele ressecada/parchamentosa. Fisiopatologia: compressão de jugulares e carótidas levando à hipóxia cerebral rápida, podendo haver reflexo vagal por estímulo do seio carotídeo; obstrução aérea nem sempre é necessária para morte. Referências: Knight’s Forensic Pathology; DiMaio & DiMaio; Genival Veloso de França.
Estratégia para a prova: destaque as palavras-chave “peso do próprio corpo” + “laço fixo”. Essa combinação aponta para enforcamento. A pegadinha é confundir com estrangulamento por laço: lá, a força é externa e não o peso da vítima.
Análise das alternativas incorretas:
A) Estrangulamento — Constrição por laço ou objeto, apertado por força externa de terceiro (mãos, torniquete). O sulco é tipicamente horizontal e contínuo, sem orientação oblíqua. Frequentemente há sinais de luta. Diverge do achado-chave “peso do próprio corpo”.
B) Soterramento — Asfixia por obstrução ambiental (areia/terra), com partículas em vias aéreas e sinais de asfixia mecânica geral, sem sulco cervical por laço fixo. Não corresponde à descrição do laudo.
C) Esganadura — Constrição manual do pescoço (mãos/dedos). Achados: equimoses digitais, escoriações de unhas, hemorragias em músculos cervicais e maior probabilidade de fraturas de hióide/laringe. Não há laço fixo nem força pelo próprio peso.
D) Forma cortocontusa — Refere-se ao tipo de lesão (arma branca de gume com contusão associada), não a um mecanismo asfíxico. Incompatível com constrição por laço.
Dica prática: em enforcamento, lembre: “laço fixo + peso da vítima = sulco oblíquo”. Em estrangulamento: “força externa = sulco horizontal”.
Referências essenciais: Knight’s Forensic Pathology, 4ª ed.; DiMaio VJ, DiMaio D – Forensic Pathology; Genival Veloso de França – Medicina Legal; UpToDate – Strangulation injuries (contexto clínico).
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GABARITO E
ENFORCAMENTO: constrição produzida por laço mecânico acionado pela força do peso do próprio corpo.
ESTRANGULAMENTO: constrição produzida por laço mecânico acionado por força estranha ao peso do corpo.
ESGANADURA: constrição produzida diretamente pelas mãos do agente
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