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Q4039811 Medicina
Menino de 3 anos é trazido pela mãe ao ambulatório com relato de “inchaço dos olhos e da barriga há quatro dias”. Dois dias antes, a mãe procurou o posto de saúde e o diagnóstico foi quadro alérgico. Hoje a mãe observou piora do inchaço. Não sabe informar sobre diurese e nega qualquer outro sinal ou sintoma. Ao exame físico, encontra-se lúcido, eupneico, corado, edema periorbitário bilateral e de membros inferiores 2+/4+, distensão abdominal, aparelho respiratório e cardiovascular sem alterações, frequência cardíaca (FC) = 96bpm e pressão arterial (PA) = 98 x 55mmHg. A principal hipótese diagnóstica e exames laboratoriais a serem solicitados, respectivamente, são:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O quadro clínico em pré-escolar com edema periorbitário, edema de membros inferiores e distensão abdominal, sem hipertensão e sem sinais cardiorrespiratórios, é compatível com síndrome nefrótica; por isso, os exames que melhor sustentam a hipótese são os que documentam proteinúria importante e hipoalbuminemia.

Tema central: Síndrome nefrótica infantil
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o padrão clínico descrito é nefrótico, não nefrítico. Na glomerulonefrite difusa aguda, esperam-se dados como hipertensão, hematúria, oligúria mais evidente e, com frequência, retenção hidrossalina em contexto compatível; esses elementos não aparecem no caso. Edema periorbitário isoladamente pode ocorrer em ambas as síndromes, mas a associação com edema periférico e distensão abdominal, somada à pressão arterial normal e à ausência de dados de hematúria, favorece síndrome nefrótica. EAS e complemento são exames úteis quando a hipótese principal é nefrítica, mas não correspondem ao melhor eixo confirmatório deste quadro.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque o quadro é classicamente nefrótico: edema de instalação subaguda em criança de 3 anos, inicialmente periorbitário, associado a edema periférico e ascite, sem achados de hipertensão, congestão pulmonar ou comprometimento cardíaco. A base fisiopatológica é perda urinária maciça de proteínas, levando a hipoalbuminemia, queda da pressão oncótica plasmática e terceiro espaço. Por isso, o núcleo laboratorial confirmatório é demonstrar proteinúria importante e hipoalbuminemia, representadas na alternativa por proteinúria de 24 horas e dosagem sérica de albumina. A própria base ressalta que, embora na prática existam outras formas de quantificar proteína urinária, entre as opções oferecidas este é o melhor pareamento diagnóstico-laboratorial.
C
Errada
Está errada porque a hipótese de miocardite não se sustenta clinicamente. Faltam sinais de repercussão cardíaca ou hemodinâmica, como taquicardia desproporcional, dispneia, sinais de baixo débito, hepatomegalia, alterações auscultatórias ou congestão. O exame respiratório e cardiovascular está sem alterações, e a criança está lúcida e eupneica, o que afasta a leitura de edema por causa cardíaca como principal explicação. Por isso, radiografia de tórax e eletrocardiograma não são os exames que respondem à hipótese mais provável.
D
Errada
Está errada porque edema alérgico não explica adequadamente a distribuição e a evolução do quadro. O edema alérgico costuma se apresentar como angioedema, geralmente súbito, localizado ou assimétrico, e não como síndrome edematosa progressiva com edema periorbitário bilateral, edema gravitacional em membros inferiores e distensão abdominal por terceiro espaço. Além disso, IgE total e hemograma não documentam a alteração central suspeitada aqui, que é perda urinária de proteínas com hipoalbuminemia.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre edema periorbitário por alergia ou por síndrome nefrítica e o padrão realmente descrito: edema periorbitário associado a edema periférico e ascite, com PA normal e sem sinais cardíacos, o que desloca o raciocínio para síndrome nefrótica.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança pequena, edema periorbitário com edema periférico e distensão abdominal sugere síndrome nefrótica até prova em contrário.
  • Para diferenciar nefrótica de nefrítica, não pare no edema: procure hipertensão, hematúria e oligúria, que sustentam mais síndrome nefrítica.
  • Quando a hipótese for síndrome nefrótica, pense no par laboratorial decisivo: proteinúria importante e hipoalbuminemia.

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