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Leia com atenção o texto a seguir para responder à questão relacionada a ele.



Por que pode ser tão difícil escolher a profissão?


Rodrigo Tavares Mendonça


    O jovem que está saindo do ensino médio pode ser pressionado a fazer uma escolha difícil: “Qual profissão eu quero para mim?”. Eu falo “pode” porque infelizmente essa não é a realidade de todos os jovens, especialmente os brasileiros. Nas classes mais baixas, a escolha profissional pode ser feita mais pelas poucas oportunidades que aparecem do que por uma escolha pensada. Contudo, felizmente a possibilidade de uma escolha pensada é uma realidade para muitos jovens. E, para escolher, é preciso ter liberdade, e a liberdade acompanhada de incerteza pode causar muita angústia.  


    Escolher uma profissão pode significar escolher o que fazer como atividade laboral pelo resto da vida, e existe uma pressão social para que essa escolha aconteça na adolescência. Não parece uma exigência excessiva para pessoas ainda imaturas? Minha resposta é simples: não. Espera-se que adolescentes saudáveis tenham maturidade suficiente para escolher uma profissão. Entretanto, pensamentos inadequados podem dificultar essa escolha. 


    Eu trabalho com orientação profissional e recebo na clínica jovens angustiados por não conseguirem tomar uma decisão. Neste artigo, quero explicar como um pensamento inadequado em específico pode dificultar a escolha, especialmente quando a ansiedade aparece. Na clínica, uma vez recebi um jovem buscando encontrar a profissão perfeita para o seu perfil psicológico, a sua personalidade. Ele buscava uma profissão que se encaixasse perfeitamente nos seus interesses, habilidades e valores. Em outras palavras, ele queria encontrar a sua vocação. 


    No início do seu desenvolvimento, a orientação profissional era denominada orientação vocacional. Os psicólogos buscavam o mesmo que o meu orientando: a profissão perfeita para a personalidade da pessoa. Apesar de a antiga nomenclatura ainda existir, a mudança aconteceu porque entendemos atualmente que não existe uma vocação. Vocação significa chamado, seja divino, seja da própria natureza da pessoa. Acreditava-se que existia um chamado para uma profissão específica. Assim, a orientação vocacional buscava descobrir esse chamado. Os profissionais que ainda utilizam a antiga nomenclatura oferecem um novo significado para ela, mais pragmático: um conjunto de interesses e habilidades que podem ser adequados para o exercício de uma profissão. 


    Profissões nascem e morrem, elas existem para cumprir uma exigência da sociedade em um contexto histórico. Esse é um dos motivos pelo qual não existe uma vocação. O que existe são profissões que podem estar mais ou menos adequadas aos interesses, habilidades e valores de uma pessoa. Além desse novo entendimento, faz-se necessário compreender a busca por uma vocação. Para pessoas ansiosas, por exemplo, buscar a vocação pode ser uma forma de evitar a realidade (e a ansiedade), pois a descoberta de um chamado elimina a necessidade de escolher, como se a escolha já tivesse sido feita. Pessoas ansiosas sofrem por precisar escolher, duvidam de si mesmas constantemente. Assim, encontrar uma vocação seria uma solução perfeita. Todavia, uma solução impossível.


    A busca por encontrar a profissão perfeita ou a vocação, contudo, existe não apenas por causa da ansiedade e do medo de escolher, a crença na existência da perfeição, em um nível abstrato, pode impulsionar essa busca. O desejo obsessivo pela perfeição pode levar a pessoa a querer um amigo perfeito, uma esposa perfeita, uma profissão perfeita. A pessoa pode acreditar que existe uma profissão perfeita para ela, que ela precisa apenas encontrá-la. Esse era o caso do orientando citado acima. 


    A consequência negativa dessa crença para a escolha profissional acontecia porque esse encaixe perfeito entre ele e a profissão simplesmente não é possível. Ele acreditava que se realmente amasse a profissão ele trabalharia sempre com prazer e seria suficientemente habilidoso. Acontece que mesmo amando uma profissão você pode não gostar de uns aspectos dela, da obrigação de exercê-la todos os dias ou não ser bom em todas as suas áreas. Existem aspectos negativos e positivos em quase tudo o que fazemos. Por isso precisamos escolher com base tanto no coração quanto na razão, buscando fazer o que gostamos, porém observando os seus custos e benefícios. 


    Entender que o encaixe perfeito entre uma profissão e uma personalidade não existe é um passo importante para fazer a escolha com menos medo de errar. Como explicado anteriormente, o que existe são profissões mais ou menos adequadas aos nossos interesses, habilidades e valores. Sendo assim, muitas profissões podem se mostrar adequadas ao nosso perfil psicológico. Não existe a possibilidade de eliminarmos a necessidade de escolher. E escolher significa sermos responsáveis pela escolha que fazemos e, também, pelo que deixamos para trás.


(Disponível em: https://nace.com.br/por-que-pode-ser-tao-dificil-escolher-a-profissao-02-2022/Acesso em: 08 set. 2026) 

O artigo de opinião “Por que pode ser tão difícil escolher a profissão?” é também classificado como um texto argumentativo. Textos argumentativos são: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A argumentação exige uma posição sustentada por razões, não apenas a manifestação de opinião. No artigo, o autor afirma: “Profissões nascem e morrem, elas existem para cumprir uma exigência da sociedade em um contexto histórico. Esse é um dos motivos pelo qual não existe uma vocação.” A condição histórica das profissões fundamenta a rejeição de uma vocação predeterminada, relação entre posição e justificativa que conduz à alternativa C.

Tema central: Caracterização da tipologia argumentativa
Análise das alternativas
A
Errada
Descreve a organização narrativa, centrada em acontecimentos, e não a sustentação de uma posição. Embora o artigo relate um atendimento clínico, esse episódio exemplifica a busca pela profissão perfeita e serve à argumentação; não torna a narrativa a tipologia predominante.
B
Errada
Informar algo ao leitor não é o critério que define a argumentação. Além disso, receitas e manuais orientam ações ou procedimentos. No artigo, as informações e explicações sustentam uma posição sobre a escolha profissional, em vez de apresentar instruções.
C
Certa
A alternativa C associa a opinião aos recursos que a sustentam. O autor defende que não existe encaixe perfeito entre profissão e personalidade, apresenta explicações para essa posição e utiliza o caso do jovem atendido como exemplo. Justificativas, dados e exemplos são recursos possíveis de argumentação: a enumeração não exige que todos apareçam simultaneamente nem que haja dados estatísticos.
D
Errada
Dispensa justamente a fundamentação que caracteriza a argumentação. O autor não se limita a declarar sua opinião: apresenta a condição histórica das profissões como justificativa e o atendimento ao jovem como exemplo. Portanto, opinião isolada não define a organização argumentativa.
Pegadinha da questão
Confundir a presença de opinião com argumentação, sem verificar sua fundamentação. O relato clínico também pode induzir à classificação narrativa, mas sua função é exemplificar a posição defendida. Já a menção a dados na alternativa C não significa que estatísticas sejam obrigatórias.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a posição defendida e as razões apresentadas para sustentá-la: essa relação é o critério decisivo da argumentação.
  • Verifique a função dos relatos: quando exemplificam uma posição, podem integrar um texto predominantemente argumentativo.
  • Distinga informar ou orientar procedimentos de defender uma posição com fundamentos.
  • Não transforme a enumeração de recursos argumentativos em exigência de presença simultânea de justificativas, dados e exemplos.

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Comentários

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A) narrativo

B) Injuntivo

C) Dissertativo Argumentativo

D) Dissertativo Expositivo

Errei

Mas gabarito C

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