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Q2797795 Português

A CIÊNCIA-PROBLEMA


Há três séculos, o conhecimento científico não

faz mais do que provar suas virtudes de verificação e

de descoberta em relação a todos os outros modos

de conhecimento. É o conhecimento vivo que conduz

05 a grande aventura da descoberta do universo, da vida,

do homem. Ele trouxe, e de forma singular neste

século, fabuloso progresso ao nosso saber. Hoje,

podemos medir, pesar, analisar o Sol, avaliar o

número de partículas que constituem nosso universo,

10 decifrar a linguagem genética que informa e programa

toda organização viva. Esse conhecimento permite

extrema precisão em todos os domínios da ação,

até na condução de naves espaciais fora da órbita

terrestre.

15 Correlativamente, é evidente que o conhecimento

científico determinou progressos técnicos inéditos

como a domesticação da energia nuclear e os

princípios da engenharia genética. A ciência é,

portanto, elucidativa (resolve enigmas, dissipa

20 mistérios), enriquecedora (permite satisfazer

necessidades sociais e, assim, desabrochar

a civilização); é, de fato, e justamente, conquistadora,

triunfante.

E, no entanto, essa ciência elucidativa, enrique-

25 cedora, conquistadora e triunfante, apresenta- nos,

cada vez mais, problemas graves que se referem ao

conhecimento que produz, à ação que determina, à

sociedade que transforma. Essa ciência libertadora

traz, ao mesmo tempo, possibilidades terríveis de

30 subjugação. Esse conhecimento vivo é o mesmo que

produziu a ameaça do aniquilamento da humanida-

de. Para conceber e compreender esse problema,

há que acabar com a tola alternativa da ciência “boa”,

que só traz benefícios, ou da ciência “má”, que só

35 traz prejuízos. Pelo contrário, há que, desde a parti-

da, dispor de pensamento capaz de conceber e de

compreender a ambivalência, isto é, a complexida-

de da ciência.


MORIN, Edgard. Ciência com consciência. 3.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999 (adaptado).

Leia: “A ciência é, portanto, elucidativa (resolve enigmas, dissipa mistérios), enriquecedora (permite satisfazer necessidades sociais e, assim desabrochar a civilização); é, de fato, e justamente, conquistadora, triunfante” (L.18 – 23).


O autor emprega a expressão “de fato” com o objetivo de:

Alternativas

Gabarito comentado

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Comentário da Questão (Interpretação de Texto – Expressão Denotativa de Ênfase)

Tema central: Esta questão avalia a interpretação de texto, sobretudo o entendimento da função semântica da expressão “de fato” dentro do trecho apresentado. O aluno precisa identificar o efeito desse termo na argumentação do autor.

Entendendo a expressão “de fato”: Pela norma-padrão, “de fato” é uma expressão denotativa de afirmação (segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, e Bechara). Sua função é reforçar, confirmar ou enfatizar o que foi dito antes. Ela aparece frequentemente para intensificar a ideia já apresentada, mostrando que aquilo é verdadeiro e incontestável no contexto.

Aplicação no trecho: O autor lista características da ciência: elucidativa, enriquecedora, conquistadora, triunfante. Ao inserir “de fato”, ele não introduz novas ideias, nem corrige, nem restringe: apenas confirma a força da afirmação anterior.

Justificativa da alternativa correta:
Letra A) enfatizar a afirmação anterior.
Corretíssima! O termo “de fato” serve para sublinhar e dar mais ênfase às qualidades descritas da ciência, reforçando o argumento do autor junto ao leitor. Esta é uma estratégia discursiva de coesão textual e convencimento.

Análise das alternativas incorretas:

B) Retificar as ideias apresentadas. – “De fato” não corrige informação; quem faz isso são expressões como “na verdade”, “corrijo”, “melhor dizendo”.

C) Contradizer o conjunto da argumentação. – Expressões adversativas (“no entanto”, “porém”) introduzem oposição, mas “de fato” confirma e não contradiz.

D) Limitar o termo precedente. – Para limitar, usaríamos “em parte”, “até certo ponto”, “exceto”, nunca “de fato”.

Estratégia para provas: Sempre que encontrar expressões como “de fato”, “com certeza”, “realmente”, pense em reforço ou confirmação de sentido – nunca em restrição, correção ou oposição. Leia o contexto e avalie: a frase ganha força e convicção?

Resumindo: A alternativa A é a correta porque “de fato” destaca a força da afirmação anterior, tema clássico nas provas de interpretação de texto.

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