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Q3910397 Administração Pública

TEXTO PARA A QUESTÃO.

 

Impactos do uso da inteligência artificial em decisões administrativas e judiciais

 

O uso de inovações tecnológicas pela administração pública, especialmente a inteligência artificial (IA), é um tema central nas políticas públicas brasileiras, como demonstrado pela Estratégia Brasileira para Inteligência Artificial (EBIA). Essa iniciativa visa a promover a pesquisa, a inovação e a capacitação profissional, destacando a cooperação entre setores público e privado.

A IA pode aumentar significativamente a capacidade de processamento de dados, ajudando na identificação de problemas e tendências e, assim, aprimorar a tomada de decisões dos administradores. No entanto, essa automatização apresenta riscos, especialmente no que diz respeito à discricionariedade, na medida em que a substituição do julgamento humano por decisões baseadas em algoritmos pode resultar em julgamentos injustos, especialmente em casos que exigem uma análise mais sutil e específica.

O ministro Gilmar Mendes, em seu voto no julgamento da ADI 6389/DF, enfatiza essa preocupação, alertando para a crescente automação das decisões críticas que afetam o Estado de Direito. "Vivemos na era das escolhas de Sofia automatizadas", destacou, reforçando a necessidade de transparência e controle, essenciais para a proteção dos valores democráticos e para o exercício da cidadania.

Nesse contexto, no âmbito do Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) emitiu a Resolução 332/2020 que dispõe sobre a ética, transparência na produção e uso da IA no Judiciário, a fim de preservar a base principiológica processual. Garantindo assim que os algoritmos das IAs não se tornem deterministas e enviesados, evitando-se também eventuais manipulações ao serem gerados.

Por mais que a referida resolução se restrinja ao Poder Judiciário, posto que ainda não há lei que trate do assunto, tais diretrizes devem ser estendidas para toda a administração pública, ante a evidente urgência em instruir, organizar e implementar a utilização de IAs. Mas afinal, para as hipóteses de tomada de decisão, uma recomendação apresentada por inteligência artificial possui caráter vinculante ou discricionário?

O questionamento é necessário, tendo em vista que, para chegar em tal recomendação, a IA se utilizou de base de dados, padrões e tendências fornecidas.

Ou seja, o julgador teria um ônus argumentativo ainda maior para a hipótese de decidir de forma contrária ao sugerido pela IA, ocasionando uma evidente redução na discricionariedade, em vista da natural conformidade ao produzido pelo sistema. Assim como pela insegurança de se alterar ou contrariar sugestão algorítmica, que por sua vez pode acarretar eventual responsabilização pelo ato proferido.

Portanto, embora a adoção da IA seja inevitável e possa trazer benefícios significativos, é crucial equilibrar seu uso com a supervisão humana, a fim de garantir decisões justas e respeitando a complexidade das situações que exigem um julgamento mais profundo e contextualizado. A responsabilidade do Estado é não apenas implementar essas tecnologias, mas também assegurar que elas sejam usadas de forma ética e justa.

 

Fonte: Correio Braziliense (adaptado).

O autor enfatiza que, apesar da inevitável expansão do uso da inteligência artificial, sua adoção deve ser acompanhada de supervisão humana, especialmente porque decisões automatizadas tendem a reduzir a discricionariedade de gestores e julgadores. Nesse sentido, o texto ressalta que a recomendação produzida por IA impõe ao decisor um ônus argumentativo maior, pois ele estaria contrariando uma orientação construída com base em dados, padrões e tendências. Assim, a adoção de IA pode acarretar uma __________, na medida em que a conformidade às sugestões algorítmicas se torna mais provável.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão exigia identificar, a partir do trecho final do texto-base, o efeito da conformidade às sugestões da IA sobre a decisão administrativa ou judicial.

Tema central: discricionariedade e IA
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O texto não discute neutralidade estatal nem apresenta a IA como instrumento de retomada dessa neutralidade. É desvio temático sem amparo textual.
B
Certa
A alternativa B está certa porque traduz, em termos equivalentes, o efeito descrito no texto: se a recomendação algorítmica aumenta o custo argumentativo para o decisor divergir e torna mais provável a adesão à sugestão da IA, então há redução do espaço de decisão livre. No contexto da questão, isso corresponde à compressão da autonomia decisória, que é semanticamente convergente com a redução da discricionariedade indicada expressamente no texto.
C
Errada
Incorreta. O texto não aponta ampliação da subjetividade interpretativa; aponta o contrário: maior conformidade à recomendação do sistema, com redução do espaço decisório.
D
Errada
Incorreta. O texto menciona, justamente, eventual responsabilização por contrariar a sugestão algorítmica. Isso afasta a ideia de eliminação das responsabilidades funcionais.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi trocar a ideia central de redução da discricionariedade por expressões que soam plausíveis, mas não correspondem ao texto, como neutralidade estatal, aumento de subjetividade ou desaparecimento da responsabilidade humana.
Dica para questões semelhantes
  • Se o texto indicar maior ônus para divergir de uma recomendação, a consequência provável é restrição do espaço decisório.
  • Em inferência textual, escolha a alternativa que reformula a expressão-chave do texto com equivalência semântica.
  • Não conclua responsabilidade eliminada quando o texto mencionar supervisão humana ou responsabilização.

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