Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA quanto ao...
O ano era 1860 e pouco, e a cidade, o Rio de Janeiro, capital da corte imperial. Caía a tarde. Os sinos chamavam para as ave-marias. [...]
Nos sobrados, via-se um movimento por trás das janelas. Eram as mulheres que tinham tomado a fresca e, agora, iam rezar. Nos oratórios domésticos, era tempo de acender as velas e puxar um terço. Vez por outra se ouviam acalantos. As crianças da casa iam dormir com medo de bichos infernais: o caipora ou o lobisomem. O choro mais triste de um deles era sinal de que o papa-figo devorava um malcriado ou respondão. Nas cozinhas, nos fundos de quintal ou no último andar dos sobrados, as escravas se atarefavam em preparar os pratos da ceia. Comentavam que o negro Manuel caminhava sobre brasas no dia de São João sem sentir dor. Ou que um espelho rachara: sinal de morte na casa. As badaladas das torres das igrejas anunciavam as horas. À meia-noite, ouviam-se nas pedras da rua ruídos de patas de cavalos, de rodas e até a voz áspera do boleiro. Era o carro de alma penada que passava. Quem cruzasse perto da Igreja de Santa Rita ouviria gemidos, veria almas penadas.
(DEL PRIORE, Mary. Do outro lado. São Paulo: Editora
Planeta, 2014, p. 15-16.)
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Tema central: Uso do sinal indicativo de crase, fenômeno que ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)", ou com o pronome demonstrativo "aquela(s)". Regra fundamental: Só ocorre crase se houver simultaneamente preposição "a" e um termo feminino iniciado por "a".
Alternativa correta: C
Na frase "À meia-noite, ouviam-se nas pedras da rua ruídos...", utiliza-se crase por regra obrigatória da norma padrão. Expressões adverbiais de tempo formadas por palavras femininas (à noite, à tarde, à meia-noite, à hora marcada) pedem crase, conforme ensinam Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra. O uso de à meia-noite está correto, pois há a preposição "a" (indicando tempo) + artigo feminino "a" (de "meia-noite").
Análise das alternativas incorretas:
A) A expressão “tomar a fresca” não pede crase porque não há preposição antecedendo o artigo feminino, já que “tomar” é verbo transitivo direto. Não é caso de facultatividade — crase não se aplica.
B) “As crianças da casa…”: aqui, “As” é apenas artigo definido feminino plural, não há preposição “a” exigindo fusão. Assim, a crase está gramaticalmente incorreta nesse contexto.
D) Em “até a voz áspera...”, a crase não é proibida apenas pela presença da preposição “até”. Quando a ideia pede, a crase pode ser facultativa (“até à porta” x “até a porta”), mas aqui não seria obrigatória e a ausência do acento está correta.
Dicas e pegadinhas: Atenção aos tipos de locuções (adverbiais, prepositivas e conjuntivas), checando sempre se o termo é feminino. Estratégia prática: Substitua por uma palavra masculina. Exemplo: “à meia-noite” → “ao meio-dia”. Se ocorre “ao” no masculino, deve-se usar “à” no feminino.
Referências normativas: Conferindo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e o Manual de Redação da Presidência da República, a exigência do sinal de crase em locuções como “à meia-noite” é consenso absoluto da melhor doutrina gramatical.
Resumo: A alternativa C está correta. O uso da crase em “à meia-noite” é obrigatório segundo a norma culta, por ser locução feminina de tempo. As demais apresentam equívocos gramaticais.
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GABARITO: LETRA C
a) Em “Eram as mulheres que tinham tomado a fresca...”, a ausência do sinal de crase nos termos destacados demonstra que a crase é opcional → incorreto, nenhum termo rege a preposição "a" para que a crase venha a se formar.
b) Em “As crianças da casa iam dormir com medo...”, a crase poderia ter sido usada no termo destacado, sem prejuízo à norma culta → incorreto, o termo "as" é um artigo definido e marca o sujeito verbal (não há sujeito preposicionado, logo, não há como se formar crase).
c) Em “À meia-noite, ouviam-se nas pedras da rua ruídos...”, o uso da crase no termo destacado é obrigatório, de acordo com a norma culta → correto, temos um adjunto adverbial de tempo com base feminina (uso da crase correto e obrigatório).
d) Em “...e até a voz áspera do boleiro”, o uso da crase é proibido em virtude da presença da palavra “até” → incorreto, após a preposição "até" o uso da crase é FACULTATIVO.
☛ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
Para avaliar se convém ou não a marcação do fenômeno crásico, recomenda-se, de saída, a substituição por termo masculino. Partindo da regra geral, a princípio, analisemos:
a) Incorreto. Substituindo por termos masculinos: "Eram os homens que tinham tomado o ar." Conforme se nota, os termos destacados comportam-se como artigos. No trecho original "Eram as mulheres que tinham tomado a fresca" os termos em destaque também o são, de modo que se torna impossível haver marcação do fenômeno crásico;
b) Incorreto. Substituindo por termo masculino: "Os jovens da casa iam dormir com medo". Nota-se que o termo destacado é artigo, da mesma forma que o é "As crianças da casa iam dormir com medo". Anula-se por completo a possibilidade de acentuação;
c) Correto. Aqui, marca-se o fenômeno crásico por haver indicação de horas. É obrigatório o uso, incorrendo-se em crasso erro se suprimido o acento;
d) Incorreto. Substituindo por termos masculinos: "e até o suspiro áspero do boleiro". Há somente artigo, bem como o há no trecho original "e até a voz áspera do boleiro". Não há maneira de se marcar o fenômeno.
Letra C
Assertiva C
Em “À meia-noite, ouviam-se nas pedras da rua ruídos...”, o uso da crase no termo destacado é obrigatório, de acordo com a norma culta.
c) Em “À meia-noite, ouviam-se nas pedras da rua ruídos...”, o uso da crase no termo destacado é obrigatório, de acordo com a norma culta.
Crase obrigatória
1- Em expressões indicativas de horas.
Exemplos:
Às 19h, inicia-se a aula.
Das 19h às 22h40mim, temos aula.
2- Em locuções adverbiais (exprimem circunstância) femininas, salvo a de instrumento.
Exemplos:
Modo: Fique à vontade.
Lugar: Vire à direita.
Tempo: À tarde, dou aula.
Instrumento: Produzi o documento a máquina.
3- Em nomes de localidades femininos antecedidos de artigos femininos.
Exemplos:
Fui à Diamantina de JK. (Locução adjetiva) - Voltei da Diamantina de JK.
Fui à Bahia. - Voltei da Bahia.
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