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Q3408392 Português
Sobre poesia


   Não têm sido poucas as tentativas de definir o que é poesia. Desde Platão e Aristóteles até os semânticos e concretistas modernos, insistem filósofos, críticos e mesmo os próprios poetas em dar uma definição da arte de se exprimir em versos, velha como a humanidade. Eu mesmo, em artigos e críticas que já vão longe, não me pude furtar à vaidade de fazer os meus mots de finesse em causa própria – coisa que hoje me parece senão irresponsável, pelo menos bastante literária.

   Um operário parte de um monte de tijolos sem significação especial senão serem tijolos para – sob a orientação de um construtor, que por sua vez segue os cálculos de um engenheiro obediente ao projeto de um arquiteto – levantar uma casa. Um monte de tijolos é um monte de tijolos. Não existe nele beleza específica. Mas uma casa pode ser bela, se o projeto de um bom arquiteto tiver a estruturá-la, os cálculos de um bom engenheiro e a vigilância de um bom construtor, no sentido do bom acabamento, por um bom operário, do trabalho em execução.

   Troquem-se tijolos por palavras, ponha-se o poeta, subjetivamente, na quádrupla função de arquiteto, engenheiro, construtor e operário, e aí tendes o que é poesia. A comparação pode parecer orgulhosa, do ponto de vista do poeta, mas, muito pelo contrário, ela me parece colocar a poesia em sua real posição diante das outras artes: a de verdadeira humildade. O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador de versos.

   Mas para o poeta a vida é eterna. Ele vive no vórtice dessas contradições, no eixo desses contrários. Não viva ele assim, e transformar-se-á, certamente, dentro de um mundo em carne viva, num jardinista, num floricultor de espécimes que, por mais belos sejam, pertencem antes a estufas que ao homem que vive nas ruas e nas casas. Isto é: pelo menos para mim. E não é outra a razão pela qual a poesia tem dado à história, dentro do quadro das artes, o maior, de longe o maior número de santos e de mártires. Pois, individualmente, o poeta é, “ai dele”, um ser em constante busca de absoluto e, socialmente, um permanente revoltado. Daí não haver por que estranhar o fato de ser a poesia, para efeitos domésticos, a filha pobre na família das artes, e um elemento de perturbação da ordem dentro da sociedade tal como está constituída.


(MORAES, Vinicius de. Para viver um grande amor, 6. ed., Sabiá, 1962, p. 101-103. Adaptado.)
Na língua portuguesa, a oração é definida como uma unidade sintática em que há verbos ou locuções verbais. A frase “[…] ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador de versos.” (3º§) pode ser corretamente classificada como:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda o reconhecimento e classificação de orações coordenadas sindéticas adversativas, conteúdo fundamental em Sintaxe e muito cobrado em provas para Técnico de Administração. Compreender como as orações se relacionam por meio de conjunções é essencial para interpretar e construir frases corretas na norma-padrão.

Análise da estrutura:

Observe o trecho: “ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador de versos.”

Identificamos duas orações, conectadas pela conjunção “mas”, que expressa oposição, formando um período composto por orações coordenadas sindéticas adversativas.

Conceito-chave: Segundo Evanildo Bechara, na Moderna Gramática Portuguesa, orações coordenadas sindéticas adversativas expressam contraste ou oposição, sendo introduzidas por conjunções como mas, porém, todavia, contudo. Aqui, o “mas” opõe as ideias de ser um bom poeta e ser apenas um lucubrador de versos, confirmando a relação adversativa.

Alternativa correta: D) Oração coordenada sindética adversativa.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Oração absoluta: Incorreta. Oração absoluta é aquela independente, sem ligação por conjunção a outra. Neste caso, as orações estão conectadas por “mas”, formando um período composto.
  • B) Oração subordinada adverbial causal: Incorreta. Não há relação de causa, mas sim de oposição. O conectivo “mas” não estabelece causa, e sim contraste.
  • C) Oração coordenada sindética alternativa: Incorreta. As orações alternativas apresentam ideia de escolha, geralmente com conjunções como “ou”, “ora... ora”. Não é o caso neste período.

Dica essencial: Sempre confira a conjunção! Palavras como “mas”, “porém” e “contudo” quase sempre indicam adversidade. Evite confundi-las com conexões de causa ou alternância, uma pegadinha comum em concurso.

Resumo: A alternativa D é a correta porque o período apresenta orações coordenadas sindéticas adversativas, unidas por “mas”, expressando oposição, conforme a norma-padrão e referências de Bechara e Cunha & Cintra.

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gab - d

“[…] ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador de versos.”

adversativa

mas, toda via, no entanto, porém, etc.

Orações Coordenadas Assindéticas:

·      Cada oração possui sentido próprio

·      São separadas por virgulas

·      Não precisam de conjunções para serem ligadas

·      Ex: Senti, como, lavei (três verbos, três orações independentes, separadas por virgulas).

Orações Coordenadas Sindéticas:

·      Possuem sentido próprio

·      São ligadas através de Conjunções

·      Ex: Estudou muito, e acabou reprovando (conjunção aditiva “e” ligando aditivamente as duas orações, mas ambas possuem sentido próprio).

 

Sindética: orações independentes, ligadas umas as outras por conectivos.

Assindéticas: Orações independentes entre si sem conectivos.

Adversativa: ideia de ressalva, contraste

masporémcontudo, todavia, entretantono entantonão obstantesenão

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