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Q3600742 Português

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A Nada Imploram Tuas Mãos já Coisas

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)



A nada imploram tuas mãos já coisas,

Nem convencem teus lábios já parados,

No abafo subterrâneo

Da úmida imposta terra.



Só talvez o sorriso com que amavas

Te embalsama remota, e nas memórias

Te ergue qual eras, hoje

Cortiço apodrecido.



E o nome inútil que teu corpo morto

Usou, vivo, na terra, como uma alma,

Não lembra. A ode grava,

Anônimo, um sorriso.



PESSOA, F. Mensagem. São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 123.



Em relação à ode de Ricardo Reis, analise as afirmações a seguir:



I. Há uma relação de intersubjetividade entre um eu, implícito no diálogo com um tu, sempre visível nos pronomes possessivos e na conjugação de alguns verbos na 2ª pessoa do singular.



II. A ode configura-se um “discurso-diálogo” que se reduz, na verdade, a um monólogo, uma vez que a pessoa a quem o eu-lírico se dirige está morta.



III. O nome da pessoa, enquanto viva, torna-se inútil com a morte ao passo que o sorriso (talvez) permaneça nas memórias.



IV. A ode é dirigida à mulher amada, sendo o eu-lírico um homem ainda saudoso de sua partida.




Da análise, está correto o que se afirma em: 

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