O contista joga com particularidades muito pontuais dos verb...

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Q679633 Português

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Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo:


_ Você aí, menino, para onde vai essa estrada?

_ Ela não vai, não: nós é que vamos nela.

_ Engraçadinho duma figa! Como se chama?

_ Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.


                                                             (Paulo Mendes Campos. Crônica 1. São Paulo: Ática, 2002.p.76)

O contista joga com particularidades muito pontuais dos verbos “ir” e “chamar-se”. Identifique a opção que identifica essas particularidades.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O trecho decisivo é “_ Ela não vai, não: nós é que vamos nela. _ Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.” Ele evidencia a leitura literal de “ir” e, em “me chamam de Zé”, a função de objeto direto de “me”. Essa combinação distingue C das demais alternativas.

Tema central: Sentido contextual e função sintática
Análise das alternativas
A
Errada
Acerta ao identificar “estrada” como sujeito e “me” como objeto direto, mas erra ao explicar o primeiro jogo verbal pela intransitividade de “ir”. A intransitividade não restringe a oração a sujeito e verbo: admite termos circunstanciais. Além disso, o humor nasce da oposição entre conduzir a algum lugar e deslocar-se fisicamente, não da identificação do sujeito.
B
Errada
Contém dois erros: atribui o jogo com “ir” à ideia indevida de que um verbo intransitivo só admite sujeito e classifica “chamar” como transitivo indireto nessa ocorrência. Em “me chamam de Zé”, “me” é objeto direto; a preposição de “de Zé” introduz o predicativo desse objeto, não um objeto indireto.
C
Certa
A alternativa C reconhece os dois mecanismos do diálogo. O vigário pergunta aonde a estrada conduz, mas o menino responde como se ela precisasse deslocar-se fisicamente. Depois, a pergunta sobre seu nome é reinterpretada como referência ao ato de chamar a si mesmo. Em “os outros é que me chamam de Zé”, “me” é objeto direto, e “de Zé” é predicativo desse objeto. A expressão “problema semântico”, usada na alternativa, deve ser entendida como exploração humorística de sentidos distintos, não como erro gramatical do vigário por empregar sujeito inanimado.
D
Errada
Reconhece a leitura literal de “ir” feita pelo menino, mas erra na classificação de “chamar” como transitivo indireto. Na construção analisada, a pessoa chamada é representada pelo objeto direto “me”, enquanto “de Zé” atribui uma denominação a esse objeto e funciona como predicativo.
Pegadinha da questão
As alternativas combinam análises corretas e incorretas: identificar “estrada” como sujeito não explica o humor, e a presença da preposição em “de Zé” não torna “chamar” transitivo indireto nem altera a função de “me” como objeto direto.
Dica para questões semelhantes
  • Compare o sentido do verbo na pergunta com o sentido explorado na resposta: a mudança de interpretação pode explicar o humor sem haver erro gramatical.
  • Determine a função do pronome na construção concreta; “me” não é sempre objeto direto nem sempre objeto indireto.
  • Distinga o objeto da expressão que lhe atribui uma denominação: neste trecho, “me” é objeto direto e “de Zé” é predicativo.
  • Verifique separadamente cada afirmação da alternativa: uma identificação sintática correta não valida uma explicação semântica incorreta.

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Comentários

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Gab: C

 

Por que o "me" é OD?

@Carlos Alessandro, pois chamar é VTD e neste caso ele quer dizer chama ele mesmo, algo como: eu não chamo eu

Alguém pode explicar detalhadamente,por favor.

a) O verbo IR, intransitivo, gramaticalmente só admite sujeito, sem complementos, portanto “estrada” é o sujeito de “ir” e; o verbo CHAMAR-SE é tomado pelo menino como “chamar”, transitivo direto, em que “me” aparece como objeto direto.

O verbo IR pode ser transitivo indireto: “Sua poupança foi toda para o fundo de investimentos.” (Dicionário online Michaelis).

 ERRADA.

 

b) O verbo IR, intransitivo, gramaticalmente só admite sujeito, sem complementos, portanto “estrada” é o sujeito de “ir” e; o verbo CHAMAR-SE é tomado pelo menino como “chamar”, transitivo indireto, em que “me” aparece como objeto direto.

O verbo intransitivo não possui objeto direto. ERRADA.

 

c) Há um problema semântico com o verbo IR, pois o sujeito desse verbo, na fala do vigário, seria inanimado, tomado pelo menino no sentido literal, ou seja, uma estrada não pode ir a lugar algum e; o verbo CHAMAR-SE é tomado pelo menino como “chamar”, transitivo direto, em que “me” aparece como objeto direto.  GABARITO.

CORRETA a primeira afirmativa, pois um sujeito inanimado não se move (obvio), logo a estrada não pode realizar a ação do verbo ir.

CORRETA a assertiva. Quem chama, chama alguém. Ex. “vtd - 1 Invocar alguém pelo nome, para que venha, se aproxime, ou para verificar sua presença: “[…] chamava Dona Ana que surgia à sacada iracunda, mostrando vassouras, ameaçando desancar o bando” (CN).” (Dicionário online Michaelis).

 

d) Há um problema semântico com o verbo IR, pois o sujeito desse verbo, na fala do vigário, seria inanimado, tomado pelo menino no sentido literal, ou seja, uma estrada não pode ir a lugar algum e; o verbo CHAMAR-SE é tomado pelo menino como “chamar”, transitivo indireto, em que “me” aparece como objeto direto.

O verbo intransitivo não possui objeto direto. ERRADA.

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