Considere os achados laboratoriais descritos a seguir, para ...
• presença de numerosos leucócitos (> 80 p/c) e cilindros leucocitários (4 p/c). • hematúria (25 p/c) com predomínio de hemácias dismórficas. • bacteriúria, microbiota aumentada e cilindros mistos (2 p/c).
As alterações encontradas no exame de urina sugerem fortemente:
I - A existência de uma infecção bacteriana, geralmente não tratada ou por outros fatores, atingindo um ou ambos os rins e causando pielonefrite e/ou glomerulonefrite.
II - O dismorfismo eritrocitário é um forte indicativo de lesões no trato urinário baixo, comum nas cistites.
III - A existência de lesão glomerular, indicando inflamação no trato urinário alto, comum nas glomerulonefrites.
Está CORRETO apenas o que se afirma em
Gabarito comentado
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Tema central: interpretação do sedimento urinário para localizar o sítio da lesão (trato baixo x alto) e reconhecer acometimento glomerular.
Alternativa correta: E (I e III)
Por quê? A combinação de numerosos leucócitos e cilindros leucocitários indica inflamação/infeção no parênquima renal, típico de pielonefrite (os cilindros se formam nos túbulos, logo o processo é do trato urinário alto). Além disso, a hematúria com predomínio de hemácias dismórficas é um marcador de lesão glomerular, comum nas glomerulonefrites. A presença de bacteriúria e cilindros mistos reforça a infecção com acometimento renal. Assim, estão corretas as assertivas I (infecção atingindo rins → pielonefrite) e III (lesão glomerular).
Estratégia de prova: sempre que houver cilindros (leucocitários, hemáticos, granulares), pense em origem renal. Sempre que houver hemácias dismórficas (p.ex., acantócitos), pense em origem glomerular. Em cistite, o mais comum é piúria e hemácias isomórficas, sem cilindros.
Análise das alternativas
A (I) – Incompleta. Reconhece pielonefrite, mas ignora o forte indicativo de lesão glomerular dado pelas hemácias dismórficas.
B (II) – Incorreta. Dismorfismo eritrocitário não é típico de trato baixo; é marcador de hematúria glomerular. Cistite cursa com hemácias isomórficas e sem cilindros.
C (III) – Incompleta. Reconhece a lesão glomerular, mas desconsidera os cilindros leucocitários e a bacteriúria que apontam para pielonefrite.
D (I e II) – Incorreta, pois mantém a afirmação II, conceitualmente errada.
E (I e III) – Correta. Integra infecção do trato alto (cilindros leucocitários) e lesão glomerular (dismorfismo eritrocitário).
Raciocínio clínico complementar: Em pielonefrite, espera-se febre, dor lombar e piúria; a urocultura é mandatória para confirmação e direcionamento terapêutico. Em glomerulonefrite, pode haver proteinúria, cilindros hemáticos e hipertensão; investigação inclui função renal, complemento e sorologias. Diretrizes e textos de apoio: UpToDate (Urinalysis in the diagnosis of kidney disease; Evaluation of microscopic hematuria), Graff’s Urinalysis and Body Fluids, Henry’s Clinical Diagnosis, Harrison’s, e recomendações KDIGO/AUA sobre hematuria glomerular.
Pegadinha clássica: confundir bacteriúria com contaminação. Em coleta ideal com cilindros, o achado aponta para doença renal, não simples contaminação.
Gabarito: E
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