A dispneia é um sintoma prevalente e angustiante em pacient...

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Q3911513 Medicina
A dispneia é um sintoma prevalente e angustiante em pacientes sob cuidados paliativos em domicílio. O manejo deste sintoma requer uma abordagem multifatorial. Sobre as intervenções farmacológicas e não farmacológicas para a dispneia refratária em cuidados paliativos, analise as afirmativas a seguir:

I.Em cuidados paliativos, a morfina em baixas doses, por via oral ou parenteral, é a primeira escolha para tratar dispneia refratária mesmo na ausência de dor, por reduzir centralmente a percepção de falta de ar e a resposta ventilatória ao CO2.
II.Medidas não farmacológicas, como direcionar um ventilador portátil para o rosto, aliviam a dispneia ao estimular receptores cutâneos de frio e aferências da divisão maxilar (V2) do nervo trigêmeo, gerando sensação de fluxo de ar sem modificar a oxigenação.
III.A oxigenoterapia domiciliar para alívio de dispneia deve ser utilizada apenas quando houver hipoxemia documentada (SpO2 persistentemente < 90% ou PaO2 ≤ 55−60 mmHg); em pacientes não hipoxêmicos, o oxigênio suplementar não traz benefício superior ao ar ambiente.

Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer que, na dispneia refratária em cuidados paliativos domiciliares, a conduta sintomática aceita inclui opioide sistêmico em baixa dose como principal intervenção farmacológica, fluxo de ar dirigido à face como medida não farmacológica útil e oxigenoterapia restrita aos casos com hipoxemia documentada; por isso, as três afirmativas estão corretas e a alternativa indicada é D.

Tema central: Manejo da dispneia refratária em cuidados paliativos domiciliares
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera correta apenas a afirmativa I e exclui II e III, que também estão corretas. II está correta porque ventilador portátil direcionado ao rosto é medida não farmacológica válida, com efeito por modulação sensorial trigeminal/cutânea, sem necessidade de alterar a oxigenação. III está correta porque a indicação de oxigenoterapia para alívio da dispneia depende de hipoxemia documentada; na ausência de hipoxemia, oxigênio não supera ar ambiente no controle do sintoma.
B
Errada
Está errada porque exclui a afirmativa I, que está correta. Em cuidados paliativos, morfina em baixa dose é a primeira escolha farmacológica para dispneia refratária, inclusive quando não há dor associada. O erro médico é restringir opioide ao tratamento analgésico, quando seu papel aqui é controlar a percepção central da dispneia.
C
Errada
Está errada porque exclui a afirmativa III, que está correta. A presença de dispneia isoladamente não torna o oxigênio universalmente indicado. O critério médico para oxigenoterapia é a existência de hipoxemia documentada; sem hipoxemia, o benefício sintomático não é superior ao de ar ambiente/fluxo de ar.
D
Certa
A alternativa D está correta porque as três proposições descrevem intervenções aceitas para dispneia refratária em cuidados paliativos domiciliares. A afirmativa I está correta porque opioides sistêmicos, especialmente morfina em baixa dose, são a principal intervenção farmacológica para alívio da dispneia refratária, mesmo sem dor, por reduzirem a percepção central de falta de ar e a resposta ventilatória ao CO2. A afirmativa II está correta porque o fluxo de ar direcionado à face pode aliviar a dispneia por modulação sensorial cutânea/trigeminal, produzindo sensação de passagem de ar sem depender de melhora da oxigenação. A afirmativa III também está correta porque o oxigênio é indicado quando há hipoxemia documentada; em pacientes não hipoxêmicos, não há benefício sintomático superior ao ar ambiente para alívio da dispneia.
Pegadinha da questão
A banca explora três confusões frequentes: achar que morfina só serve se houver dor, tratar ventilador no rosto como medida sem base fisiológica e presumir que todo paciente dispneico deve receber oxigênio mesmo com saturação normal.
Dica para questões semelhantes
  • Em dispneia refratária em cuidados paliativos, diferencie controle do sintoma de correção da oxigenação: nem toda medida eficaz melhora saturação.
  • Opioide em baixa dose, especialmente morfina, deve ser lembrado como primeira linha farmacológica para dispneia refratária, mesmo sem dor.
  • Fluxo de ar na face é intervenção não farmacológica válida porque reduz a percepção de dispneia por modulação sensorial, não por aumentar oxigênio.
  • Oxigenoterapia deve ser vinculada à hipoxemia documentada; dispneia sem hipoxemia não justifica presumir benefício superior ao ar ambiente.

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