Julgue os itens sobre a Doença de Wilson:I- Nas formas de ac...
I- Nas formas de acometimento hepático abrupto, a necessidade de diagnóstico precoce é fundamental, pois a falta do tratamento eficaz provavelmente acabará em óbito.
II- O acúmulo de cobre se faz inicialmente no baço e, posteriormente, em diversos órgãos e tecidos, particularmente no cérebro, córnea e rins.
III- No tratamento da doença, deve ser evitado alimentos como: fígado, chocolate, frutos do mar, feijão, amendoim, castanha de caju e nozes.
Está correto o que se afirma em:
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Tema central: Doença de Wilson é um distúrbio autossômico recessivo (ATP7B) com defeito na excreção biliar de cobre, levando a acúmulo inicial no fígado e, depois, “transbordamento” para cérebro (gânglios da base), córnea (anéis de Kayser-Fleischer) e rins. Pode manifestar-se como hepatopatia crônica/cirrose, falência hepática fulminante e sintomas neuropsiquiátricos. (Harrison’s; UpToDate; AASLD 2022)
Estratégia de prova: foque em: 1) órgão de depósito inicial (fígado, não baço); 2) gravidade das formas fulminantes (transplante salva-vidas); 3) restrição dietética de cobre na fase inicial do tratamento.
Análise dos itens:
I — Correto. Nas apresentações hepáticas abruptas (falência hepática aguda por Wilson), a evolução é rapidamente fatal sem intervenção. Quelantes isolados não resolvem a falência fulminante; a conduta que muda prognóstico é transplante hepático urgente. Pistas laboratoriais: hemólise Coombs-negativa, razão FA/bilirrubina baixa, ceruloplasmina reduzida, cobre sérico livre elevado. (AASLD/EASL)
II — Incorreto. A afirmação troca o local inicial: o acúmulo começa no fígado. O baço pode aumentar por hipertensão portal secundária à doença hepática, não por depósito primário de cobre. O “spillover” ocorre depois para cérebro, córnea e rins. (Harrison’s; UpToDate)
III — Correto. No tratamento, recomenda-se restrição de cobre sobretudo no início: evitar fígado, frutos do mar, chocolate/cacau, nozes (castanha de caju, amendoim), leguminosas como feijão e água com alto teor de cobre. Associa-se a quelantes (penicilamina ou trientina) e/ou zinco para reduzir absorção intestinal. (AASLD 2022; UpToDate)
Gabarito: C — Apenas I e III.
Diagnóstico (resumo útil para provas): ceruloplasmina baixa (<20 mg/dL), cobre urinário 24h >100 µg, cobre hepático >250 µg/g (peso seco), anéis de Kayser-Fleischer e manifestações típicas. Use escores (ex.: escore de Leipzig) quando necessário. (EASL)
Tratamento (conduta): início com quelante (penicilamina ou trientina); zinco para manutenção/alternativa; transplante na falência hepática fulminante ou cirrose descompensada refratária. Monitorar efeitos adversos (proteinúria, citopenias) e aderência.
Pegadinhas: 1) “Baço” como primeiro órgão — incorreto; é o fígado. 2) Em formas fulminantes, não confiar só em quelantes: pensar em transplante imediato.
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