A respeito da colocação pronominal no português brasileiro,...

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Q3831362 Português
Pequenas pausas no trabalho previnem impactos negativos na saúde

Mesmo quem se exercita pode sofrer os efeitos do sedentarismo ocupacional. Entre um e-mail e outro, levantar-se vira um ato de saúde

Por trás das longas horas em frente ao computador, existem vários efeitos negativos para o corpo e a mente. Chamado de sedentarismo ocupacional, comum entre quem passa o dia sentado no trabalho, o comportamento é fator de risco para quem não inclui pausas ativas durante os expedientes − mesmo que faça algum exercício físico depois. [...] E esse padrão se tornou ainda mais comum após a consolidação do home office.

De acordo com Daniel Sandy, especialista em Ciência da Motricidade Humana e fundador da Pausa Ativa Ocupacional, o perigo está justamente naquilo que parece inofensivo: "O sedentarismo ocupacional é muitas vezes confundido apenas com a ausência de prática esportiva, mas também se manifesta nos longos períodos de inatividade diante do computador", explica.

Os riscos desse tipo de sedentarismo até são comparados com os do fumo. "Nos anos 80, fumar era amplamente aceito, e só depois de muita conscientização os riscos foram reconhecidos. Atualmente, ocorre o mesmo com o comportamento sedentário. Não percebemos o quanto ele é prejudicial." [...] Os efeitos vão muito além das dores musculares. De acordo com Sandy, o comportamento sedentário está ligado a um aumento expressivo dos riscos cardiometabólicos, dores de coluna, cefaleia, transtornos mentais como ansiedade e depressão, além de síndrome de burnout, diabetes, doenças autoimunes e até demência.

A quantidade de tempo segura para permanecer sentado é de 30 minutos, intercaladas por pausas ativas, sem nunca ultrapassar uma hora sem se levantar. As chamadas pausas ativas são breves intervalos de movimento, entre 2 e 10 minutos, como alongamentos, exercícios respiratórios, caminhadas curtas ou pequenos deslocamentos dentro do escritório. "Essas pausas quebram o ciclo do sedentarismo, ativando músculos, oxigenando o cérebro e prevenindo doenças crônicas. Além disso, ajudam a aliviar o estresse, promovem disposição e podem reduzir o risco de burnout", comenta Sandy. [...] "todo movimento conta": caminhar rápido, subir escadas, alongar-se, fazer agachamentos, flexões de panturrilha, polichinelos ou mesmo corrida estacionária são gestos simples, mas eficazes. O segredo está na intenção e na regularidade.

Para além dos benefícios fisiológicos, Sandy acredita que as pausas ativas têm um papel simbólico: elas rompem com a cultura de exaustão. "Além dos danos físicos, ficar sentado por longos períodos gera impactos sociais e culturais, perpetuando ambientes de trabalho pouco saudáveis", afirma. Quando um funcionário se levanta para se mover, ele também envia uma mensagem silenciosa de que produtividade e autocuidado podem coexistir.

(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/pequenas-pausas-no-trabalho-pr evinem-impactos-negativos-na-saude/. Acesso em: 09 nov. 2025. Adaptado.)
A respeito da colocação pronominal no português brasileiro, analise as sentenças a seguir:

I. "Mesmo quem se exercita pode sofrer os efeitos do sedentarismo ocupacional": a próclise, colocação do pronome átono antes do verbo, é a posição mais comum no português no Brasil. Nesse excerto, ela ocorre porque a palavra que antecede imediatamente o verbo é um pronome relativo e exerce a função de conectivo de subordinação.
II. "Entre um e-mail e outro, levantar-se vira um ato de saúde": observa-se que a autora do texto optou pela posição enclítica, ou seja, pronome átono após o verbo, o que confere mais formalidade ao texto. Nesse contexto, a autora poderia ter optado pela próclise, uma vez que com verbos no infinitivo, soltos, as duas colocações são aceitas.
III. "E esse padrão se tornou ainda mais comum após a consolidação do home office": é característica do português do Brasil a preferência pela próclise em orações absolutas (que formam um período por si só), principais ou coordenadas, por isso, o pronome átono antes do verbo "tornou". Isso não impede que se opte pelo uso mais formal, após o verbo. 

É correto o que se afirma em:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: "Mesmo quem se exercita pode sofrer os efeitos do sedentarismo ocupacional"; "Entre um e-mail e outro, levantar-se vira um ato de saúde"; "E esse padrão se tornou ainda mais comum após a consolidação do home office." A decisão exige reconhecer, nesses três trechos, usos compatíveis da colocação pronominal no português brasileiro: próclise favorecida por pronome relativo/subordinativo em I, ênclise legítima com infinitivo em II com possibilidade também de próclise, e próclise característica do uso brasileiro em oração principal/coordenada em III; por isso, as três assertivas estão corretas.

Tema central: colocação pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque restringe a correção à sentença I e elimina II e III sem fundamento. II está correta ao identificar ênclise em "levantar-se" e ao admitir também a próclise com infinitivo solto. III também está correta ao apontar a próclise em "se tornou" como traço compatível com o português brasileiro em oração principal/coordenada.
B
Errada
Está errada porque exclui I e III, mas ambas se sustentam linguisticamente. Em I, a próclise não é aleatória: o elemento "quem" funciona como relativo e introdutor de subordinação, favorecendo a posição proclítica. Em III, a análise da preferência brasileira pela próclise está de acordo com o trecho "E esse padrão se tornou ainda mais comum após a consolidação do home office."
C
Errada
Está errada porque elimina II, embora a sentença esteja correta. No trecho "levantar-se", o verbo está no infinitivo e não há fator obrigatório de atração proclítica; por isso, a ênclise é plenamente aceitável, e a assertiva ainda acerta ao dizer que a próclise também pode ocorrer nesse contexto no português brasileiro.
D
Errada
Está errada porque exclui I indevidamente. A sentença I está correta ao relacionar a próclise de "se exercita" ao pronome "quem", tomado na questão como relativo e elemento conectivo de subordinação; esse é justamente o critério que valida a colocação antes do verbo.
E
Certa
A alternativa E está correta porque I, II e III descrevem adequadamente os contextos concretos do texto. Em I, a próclise em "quem se exercita" é sustentada pelo pronome relativo com função conectiva de subordinação. Em II, "levantar-se" traz ênclise válida com verbo no infinitivo sem fator obrigatório de atração, e a própria base admite que, nesse contexto, a próclise também é aceitável no português brasileiro. Em III, "se tornou" exemplifica a preferência brasileira pela próclise em oração principal ou coordenada, sem que isso transforme a ênclise em impossibilidade absoluta em registro mais formal. Como nenhuma assertiva apresenta erro gramatical ou descritivo relevante, a única resposta possível é a que reúne as três.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre uma visão normativa mais rígida e a descrição do português brasileiro pedida no enunciado: isso pode levar o candidato a rejeitar II por causa do infinitivo ou III por tratar a próclise como se fosse inadequada em oração principal, quando a base afirma o contrário.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se há elemento que favoreça próclise, como pronome relativo com valor subordinativo.
  • Com infinitivo sem fator obrigatório de atração, não trate a ênclise como única possibilidade automaticamente.
  • Em questões sobre português brasileiro, considere a preferência de uso real pela próclise, sem transformar a ênclise em proibição absoluta.
  • Elimine alternativas que negam sentenças compatíveis com o trecho e com o critério de colocação pronominal cobrado.

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Comentários

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GAB.E

quem é pronome relativo = atrai próclise.

diz isso mesmo prefere próclise mesmo em orações absolutas ou coordenadas.

OTIMOS ESTUDOS!

  • ✅ I — CORRETA
  • “Mesmo quem se exercita pode sofrer…”
  • “quem” é um pronome relativo substantivo.
  • Pronomes relativos atraem a próclise.
  • Além disso, introduzem oração subordinada, funcionando como conectivos de subordinação.
  • Logo, a explicação dada está correta.
  • ✅ II — CORRETA
  • “… levantar-se vira um ato de saúde”
  • O verbo está no infinitivo solto.
  • Nessa situação, são aceitas tanto a ênclise quanto a próclise:
  • levantar-se
  • se levantar
  • A ênclise é tradicionalmente associada a um tom mais formal, especialmente na escrita.
  • A afirmação está inteiramente correta.
  • ✅ III — CORRETA
  • “E esse padrão se tornou ainda mais comum…”
  • No português do Brasil, há forte preferência pela próclise:
  • em orações absolutas,
  • principais,
  • coordenadas,
  • mesmo sem palavra atrativa.
  • Isso não impede o uso da ênclise (tornou-se), que é vista como mais formal.
  • A descrição corresponde exatamente ao uso real da língua no Brasil.

  • Resposta: E

Fonte: chatGPT

Algum colega poderia explicar por que a II está correta, pois de acordo com as regras de colocação pronominal, não se pode utilizar um pronome relativo depois de uma pausa, sendo preferível utilizar a ênclise (caso não haja palavra atrativa).

Alternativa ll está errada.

Não se pode iniciar frase com pronome "se".

Nesse caso,a próclise é proibida!

Outra coisa:o QUEM,na A,não é relativo,pois não possui antecedente!Na verdade,é um pronome substantivo interrogativo!

A única alternativa aceitável é a lll.

Questão que deveria ser anulada!

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