Margaret Crane: a designer que criou o teste
caseiro de gravidez
Crane recebeu apenas um dólar pela criação –
mas revolucionou a autonomia das mulheres
sobre o próprio corpo.
A gonadotrofina coriônica humana pode ser
assustadora. Não só pelo nome bizarro, mas
porque esse é o hormônio que interrompe a
menstruação e prepara o útero para receber o
embrião. Em outras palavras, ele anuncia que a
mulher está grávida. Mais conhecido como hCG,
ele surge em altas concentrações no sangue da
gestante, e vai parar no xixi. A detecção desse
hormônio é a base dos testes de gravidez atuais –
tanto o de sangue, em laboratório, quanto o de
xixi, em casa. Esse último só surgiu nos anos
1970, graças a uma publicitária e designer sem
qualquer formação científica. Aos 26 anos,
Margaret Crane trabalhava na empresa Organon
Pharmaceuticals. Ela foi contratada em 1967
para desenhar uma linha de cosméticos, mas se
interessou por outro tema ao visitar o laboratório
da farmacêutica. Crane notou uma grande fila de
provetas apoiadas sob um espelho, e perguntou
do que se tratava. Um cientista disse que aqueles
eram testes de gravidez, e explicou como
funcionavam.
Processo demorado
A mulher com suspeita de gravidez deveria ir a
um consultório médico para coletar urina, que
seria enviada a um laboratório especializado. O
xixi era colocado em uma proveta com reagentes
químicos que interagem com o hCG, formando
um círculo roxo no fundo do recipiente. Os
pesquisadores usavam espelhos para refletir e
observar o fundo do tubo. Se o círculo estivesse
ali, significava que havia hormônio e a mulher
estava grávida. Caso contrário, nada de gestação.
Só então o resultado era enviado de volta ao
médico, que informava o status da paciente. Todo
o processo demorava até duas semanas – um
período desnecessariamente grande de espera
pela informação que mudaria a vida da mulher.
Além disso, o processo exigia que ela passasse
por um médico, sem privacidade ao receber uma
notícia sensível. Crane pensou em maneiras de
tornar o método mais acessível – e caseiro. Seu
desafio como designer era juntar o tubo e o espelho em um único recipiente. A solução foi
usar uma caixinha transparente com um espelho
no fundo e um tubo acoplado em cima. O
reagente seria aplicado com um conta-gotas e a
caixa permitiria ver o resultado no espelho, que
sairia em poucos minutos. [...]
Predictor
Crane apresentou o protótipo aos seus chefes na
farmacêutica, mas eles não gostaram da ideia.
Achavam que o teste caseiro acabaria com os
negócios da empresa e não seria bem recebido
pelos médicos. Mas a proposta foi bem aceita na
sede da Organon Pharmaceuticals, na Holanda.
A Europa já tinha outros produtos de venda direta
ao consumidor, e os executivos acreditaram que
esse também funcionaria. Duas patentes do teste
Predictor, como ficou chamado, foram
registradas no nome de Margaret Crane em 1969.
Só que o custo do pedido de patente era muito
caro, e a jovem não conseguiria arcar sozinha.
Então, ela renunciou os direitos de sua invenção
por um dólar, para que a empresa pagasse o
registro. E esse dólar foi tudo que ela recebeu.
Crane já disse em entrevistas que não se
arrepende da decisão, pois o projeto não sairia do
papel sem a grana. Mas que ela não faria a
negociação de novo sem um advogado ou
representante.
Reconhecimento veio tarde
A partir dali os testes caseiros de gravidez só se
modernizaram, até chegarem nas fitinhas e
visores usados hoje. Só que a contribuição de
Crane ficou apagada por muito tempo. Com
exceção de alguns amigos e familiares próximos,
ninguém sabia que ela havia sido a inventora do
teste de gravidez. Foi só em 2012, quando o teste
completou 35 anos, que Margaret se apresentou
como inventora. O Instituto Smithsonian, o
Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos
e o FDA (Food and Drug Administration)
estavam em busca do primeiro protótipo do teste
caseiro, para registrá-lo em seus arquivos. Por
sorte, Crane ainda guardava o protótipo e um dos
primeiros testes comercializados, junto com suas
instruções em francês e inglês. Desde então, a
inventora é reconhecida por sua criação. [...]
Revista Superinteressante. (Adaptado).
Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/margaretcrane-a-designer-que-criou-o-teste-caseiro-de-gravidez
Em relação à colocação pronominal, a mesóclise
é caracterizada por: