Gabriel, um recém-nascido de 12 dias de vida, previamente sa...
Os exames laboratoriais mostram:
• Hipoglicemia (glicemia: 35 mg/dL)
• Acidose metabólica com ânion-gap aumentado
• Hiperamonemia (amônia: 180 µmol/L)
• Lactato elevado (4,8 mmol/L)
• Corpos cetônicos ausentes na urina
A análise inicial levanta a suspeita de um erro inato do metabolismo (EIM), possivelmente um defeito no ciclo da ureia ou acidemia orgânica, necessitando de manejo imediato para evitar descompensação metabólica grave.
Qual a conduta mais adequada para esse recém-nascido?
Gabarito comentado
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Tema central: emergência metabólica neonatal por erro inato do metabolismo (EIM). O quadro de hipoglicemia, acidose metabólica com ânion-gap, hiperamonemia, lactato elevado e ausência de cetonas sugere EIM grave (p.ex., acidemia orgânica ou defeito da oxidação de ácidos graxos; defeitos do ciclo da ureia cursam com hiperamonemia, geralmente sem acidose). Em prova, reconheça: RN com letargia/vômitos + hiperamonemia = tratar imediatamente, sem aguardar confirmação.
Alternativa correta: B — Suporte metabólico imediato: interromper proteína para reduzir carga nitrogenada; infundir glicose EV 8–12 mg/kg/min (aumentar se necessário, até com insulina, para suprimir catabolismo); e usar fármacos específicos conforme suspeita: benzoato de sódio/phenilbutirato (scavengers de amônia) e L-carnitina em acidemias orgânicas. Considerar arginina/citrulina em defeitos do ciclo da ureia. Se amônia muito elevada (≥300–500 µmol/L) ou refratária, hemodiálise/CRRT é indicada precocemente. Essa conduta segue recomendações de emergência metabólica da AAP/ESPE, BIMDG e UpToDate.
Raciocínio clínico: os achados indicam risco de encefalopatia hiperamonêmica e falência energética. A prioridade é parar o catabolismo (glicose alta) e remover amônia (scavengers/dialítica). Não se espera melhora espontânea e atrasos aumentam sequelas neurológicas.
Por que as demais estão incorretas?
A — “Hidratação e observação” é inadequado: não se deve aguardar para iniciar terapia em RN com hiperamonemia/acidose. O atraso eleva mortalidade e sequelas (AAP/UpToDate).
C — Dieta rica em proteínas agrava a hiperamonemia e a acidose nas acidemias orgânicas. A conduta inicial é retirar proteína por 24–48 h até estabilização, com reposição gradual e fórmulas especiais depois.
D — O bicarbonato pode ser adjuvante em acidose muito grave, mas não trata a causa (amônia/ácidos orgânicos), nem reduz lactato de forma eficaz; risco de sobrecarga de sódio e piora neurológica. Prioridade é anti-catabolismo e remoção de toxinas.
E — Exsanguineotransfusão não é tratamento padrão para EIM. Quando necessário, a técnica de escolha para depuração de amônia/ácidos é hemodiálise/CRRT; EET é ineficaz para pequenas moléculas.
Dicas de prova: - Hiperamonemia + rebaixamento = iniciar scavengers e glicose alta já. - Ausência de cetonas com hipoglicemia sugere defeito de oxidação de ácidos graxos; ainda assim, a primeira medida é anti-catabólica. - Solicite de rotina: perfil de acilcarnitinas, ácidos orgânicos urinários e aminoácidos plasmáticos, sem postergar o tratamento.
Fontes: AAP/ESPE – emergências metabólicas; BIMDG Emergency Protocols; UpToDate – Initial management of suspected inborn errors of metabolism in neonates.
Gabarito: B
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