Arthur, um recém-nascido com 20 dias de vida, previamente sa...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3366108 Medicina
Arthur, um recém-nascido com 20 dias de vida, previamente saudável, é levado à emergência pediátrica pelos pais devido a febre de 38,2 ºC nas últimas quatro horas. Ele não apresenta sinais localizados evidentes, como tosse, rinorreia ou sinais gastrointestinais.
Ao exame físico, Arthur está irritado, com sucção débil e discretamente letárgico, sem sinais evidentes de desconforto respiratório ou hepatoesplenomegalia. Os pulsos periféricos estão preservados, mas sua perfusão capilar encontra-se ligeiramente prolongada (3 segundos). Os pais negam contato com pessoas doentes, mas relatam que o recém-nascido esteve mais sonolento nas últimas 24 horas.
Diante desse quadro, qual a conduta inicial mais apropriada?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Febre em recém-nascido ≤28 dias é emergência pediátrica por alto risco de infecção bacteriana invasiva (IBI) (sepse/meningite/ITU), mesmo sem foco evidente. A conduta é internação, investigação completa e antibioticoterapia empírica precoce (AAP 2021; SBP; UpToDate).

Por que a alternativa A é a correta: Lactente com 20 dias, febre 38,2 °C, irritabilidade, sucção débil, letargia e perfusão capilar 3 s são sinais de risco. Em 8–21 dias, recomenda-se: hemograma, marcadores inflamatórios (PCR/procalcitonina), hemocultura, urina e urocultura por cateter/aspiração, punção lombar (células, glicose, proteína, Gram e cultura) e início imediato de ATB EV após coletas. A radiografia de tórax pode ser indicada se suspeita respiratória; alguns protocolos a incluem rotineiramente no RN febril. Regimes usuais: ampicilina + gentamicina ou ampicilina + cefotaxima. Tal conduta reduz mortalidade por meningite/sepse (AAP CPG 2021; SBP – Febre no lactente jovem).

Como interpretar a questão (estratégia de prova): Identifique imediatamente a idade <=28 dias + febre ≥38,0 °C → hospitalizar e investigar, mesmo com exame físico pouco específico. Evite confiar apenas em “bom estado geral”.

Análise das alternativas incorretas:

B – Antitérmico e reavaliar em 24 h é inadequado em RN ≤28 dias. O risco de IBI nessa faixa (especialmente 8–21 dias) é significativo; atraso no diagnóstico pode ser fatal. Diretrizes recomendam investigação completa + internação, não observação domiciliar.

C – Hemograma e PCR isolados não excluem IBI no RN. Hemocultura, urocultura e líquor são mandatórios nessa idade, mesmo sem choque/convulsões. Biomarcadores não têm acurácia suficiente para evitar punção lombar em 8–21 dias.

D – Antibioticoterapia ambulatorial (oral ou EV sem internação) é contraindicada. Há necessidade de monitorização contínua, coleta de culturas e, idealmente, punção lombar antes do primeiro antibiótico. Tratar fora do hospital pode mascarar meningite e atrasar o diagnóstico.

E – Acyclovir empírico só se houver suspeita de HSV (lesões vesiculares, convulsões, elevação de transaminases, LCR com pleocitose, história materna de herpes). Iniciar acyclovir e aguardar exames sem antibiótico coloca em risco caso seja IBI bacteriana. Se HSV for suspeito, usa-se aciclovir + antibiótico EV, não em substituição.

Resumo prático (à beira-leito): RN 8–21 dias com febre → internar + coletar culturas (sangue/urina/LCR) + iniciar ATB EV (ampicilina + gentamicina/cefotaxima). Considerar aciclovir se critérios de HSV. Radiografia de tórax se houver indício respiratório.

Fontes: AAP Clinical Practice Guideline 2021 – Febrile Infants 8–60 days; Sociedade Brasileira de Pediatria – Febre no lactente jovem; UpToDate – Fever in infants younger than three months.

Gabarito: A

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo