O suporte respiratório em recém-nascidos prematuros é um do...
Qual das alternativas a seguir representa a melhor estratégia inicial para o suporte respiratório em um recém-nascido prematuro de 28 semanas de idade gestacional, sem apneia, mas apresentando sinais moderados de desconforto respiratório?
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Tema central: Suporte respiratório inicial do prematuro com doença da membrana hialina (DMH/RDS) por deficiência de surfactante. O objetivo é manter a capacidade residual funcional (CRF), garantir oxigenação/ventilação e evitar lesão pulmonar induzida por ventilador (atelectrauma e volutrauma).
Alternativa correta (C): CPAP nasal imediato após o nascimento em prematuros que respiram espontaneamente e têm desconforto moderado, evitando intubação precoce. O CPAP mantém alvéolos abertos, reduz trabalho respiratório e necessidade de ventilação mecânica, com menor risco de displasia broncopulmonar (DBP) e mortalidade. Evidências: ensaios COIN e SUPPORT e revisões Cochrane mostram que CPAP precoce comparado à intubação/surfactante profilático diminui a necessidade de ventilação invasiva e DBP. Diretrizes: European Consensus Guidelines on RDS 2022/2023, AAP/NRP recomendam CPAP inicial em prematuros que respiram.
Conduta prática: iniciar CPAP binasal 5–6 cmH2O com O2 titulado para saturações-alvo; monitorar esforço respiratório e gases. Resgate com surfactante se necessidade de FiO2 > 0,30–0,40 em CPAP 6–8 cmH2O, preferindo técnicas não invasivas como LISA/MIST (ou INSURE se LISA indisponível).
Por que as demais estão incorretas?
A) “Intubar todos <28s” é desatualizado. A estratégia profilática de intubação/surfactante expõe ao ventilador desnecessariamente e aumenta risco de DBP quando comparada ao CPAP inicial com surfactante de resgate. Diretrizes europeias e AAP/NRP não recomendam intubação rotineira baseada só na idade gestacional.
B) “Ventilação invasiva é sempre preferível” é falso. Ventilação mecânica melhora controle da ventilação, mas aumenta risco de lesão pulmonar, pneumotórax e DBP. Em prematuros que respiram sem apneia, suporte não invasivo (CPAP/NIPPV) é preferido inicialmente.
D) “Surfactante profilático via intubação em todos <30s” não é recomendado. O surfactante deve ser de resgate precoce conforme necessidade de O2/falha do CPAP. Abordagem profilática amplia exposição ao ventilador e não reduz desfechos quando comparada ao CPAP com resgate (Cochrane, European RDS Guidelines).
E) “Evitar CPAP por risco de barotrauma” está incorreto. Em níveis adequados (5–7 cmH2O), o CPAP reduz atelectasia e pode diminuir pneumotórax, comparado à ventilação invasiva. O risco aumenta apenas com pressões excessivas ou técnica inadequada.
Dicas de prova: Identifique no enunciado: prematuro que respira espontaneamente, sem apneia e com desconforto moderado → escolha CPAP nasal imediato. Pense em resgate com surfactante se houver necessidade crescente de O2 no CPAP.
Referências essenciais: European Consensus Guidelines on the Management of RDS (2022/2023); AAP/NRP 8ª ed.; UpToDate (Respiratory support of the preterm infant); Revisões Cochrane sobre CPAP precoce e surfactante de resgate.
Gabarito: C
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