Lucas, um recém-nascido de 32 semanas de idade gestacional, ...

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Q3366098 Medicina
Lucas, um recém-nascido de 32 semanas de idade gestacional, nasceu por parto cesáreo de urgência devido a sofrimento fetal agudo. Sua mãe apresentou febre materna intraparto (38,5 ºC) e rotura prolongada de membranas (> 18 horas), sem uso de antibióticos profiláticos. Nas primeiras 6 horas de vida, o recém-nascido desenvolveu taquipneia intensa (frequência respiratória: 72 irpm), gemência, retração subcostal e temperatura instável. O exame revelou perfusão periférica prolongada e letargia moderada. Foi iniciada oxigenoterapia e realizada coleta de exames laboratoriais, incluindo hemocultura, hemograma e proteína C reativa (PCR).
Os resultados laboratoriais mostraram:
•  Hemograma: leucocitose (25.000/mm3 ), relação I/T aumentada (> 0,3)
•  PCR: 12 mg/L (valores elevados)
•  Hemocultura: aguardando resultado
Diante do quadro, a equipe médica iniciou antibioticoterapia empírica.
Nesse caso, qual é a melhor conduta a ser seguida?
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Tema central: Sepse neonatal precoce e manejo inicial na prematuridade.

Comentário:

Esta questão aborda o reconhecimento e condução da sepse neonatal precoce, assunto fundamental em Pediatria e Neonatologia. Atenção para os fatores de risco presentes: prematuridade (32 semanas), febre materna intraparto, rotura prolongada de membranas (>18h) e ausência de profilaxia antibiótica; juntos, identificam elevado risco de infecção neonatal.

No cenário clínico descrito, o RN apresenta sinais sugestivos de sepse: taquipneia, gemência, retração subcostal, instabilidade térmica, má perfusão e letargia, reforçados por exames alterados (leucocitose, relação I/T aumentada e PCR elevada).

Segundo o Guia do Ministério da Saúde, Cap. 14 - Sepse Neonatal Precoce: “A duração inicial da antibioticoterapia deve considerar novos exames laboratoriais e avaliação clínica rigorosa, sendo possível sua suspensão se hemoculturas e marcadores forem negativos após 36 a 48h, e houver melhora clínica” (p. 216).

Alternativa correta: B – A manutenção da antibioticoterapia empírica por 36 a 48 horas, com reavaliação dos resultados clínicos e laboratoriais, está alinhada com as diretrizes. Isso evita tanto o subtratamento quanto o uso imprudente de antibióticos.

Análise das alternativas incorretas:

A) Suspender após 24h é precoce – exames e manifestações clínicas podem ainda não ter se normalizado.
C) Cefalosporinas de 3ª geração apenas se houver indicação/isolamento específico; não é primeira escolha empírica.
D) Punção lombar não é de rotina para todos; reserva-se a casos de instabilidade ou sintomas neurológicos.
E) Apesar de propor conduta semelhante à correta, recomenda aguardar 48h (não 36-48h) ignorando a necessidade de PCR seriada e restrição à evolução clínica.

Dicas para a prova: Leia atentamente os prazos de reavaliação e critérios de suspensão, além das bases para escolha do esquema antibiótico. Pegadinhas comuns incluem conduzir suspensão precoce ou uso inadequado de antibióticos.

Referência: Ministério da Saúde, “Atenção à Saúde do Recém-Nascido”, Cap. 14 (Sepse Neonatal Precoce); SBP; UpToDate; Nelson Tratado de Pediatria, 21ª ed.

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