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Q3652726 Patologia
No contexto das Toxinfecções Alimentares, determinados microrganismos provocam sintomas específicos devido à produção de toxinas que interferem nos mecanismos intestinais. A manifestação clínica das Toxinfecções comumente inclui:
Alternativas

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Tema central: Toxinfecções alimentares por enterotoxinas que alteram o transporte eletrolítico intestinal, gerando diarreia secretória (sem inflamação). Exemplos clássicos: Vibrio cholerae (toxina colérica) e ETEC (enterotoxinas LT/STS) que ↑cAMP/↑cGMP, estimulam secreção de Cl− e inibem absorção de Na+, resultando em grande perda hídrica.

Alternativa correta: D – “Diarreia intensa sem sangue ou leucócitos, febre discreta ou ausente, com alto risco de desidratação devido à ação de toxinas.”

Justificativa: O quadro descrito é típico de diarreia secretória não inflamatória: fezes aquosas volumosas, ausência de sangue e de leucócitos fecais, febre ausente/baixa e risco elevado de desidratação. Esse padrão ocorre quando toxinas bacterianas agem na mucosa sem invasão tecidual. Diretrizes da OMS e textos como Harrison’s e UpToDate reforçam que a conduta principal é reidratação oral ou venosa conforme gravidade; antibiótico é reservado a situações específicas (ex.: cólera grave, diarreia do viajante moderada a grave).

Como identificar na prova:

  • Palavras-chave: “toxinas”, “mecanismos intestinais”, “sem sangue/leucócitos”, “desidratação”.
  • Ausência de sinais inflamatórios = pense em enterotoxina (secretória).

Análise das alternativas incorretas:

A – “Infecção silenciosa... apenas náuseas e mal-estar.” Incompatível. Toxinfecções cursam com sintomas gastrointestinais. Mesmo quando há toxina pré-formada (ex.: S. aureus, B. cereus emética), há vômitos intensos, início abrupto e, não raro, diarreia leve. Não é “silenciosa”.

B – “Cólicas isoladas, sem alteração do trânsito, sem toxinas.” Errada por negação do conceito. Toxinfecções se definem pela ação de toxinas e tipicamente alteram o trânsito/segregação intestinal, produzindo diarreia.

C – “Febre alta e necrose da mucosa, sem relação com toxinas.” Descreve diarreia inflamatória/invasiva (dissenteria) com sangue e leucócitos, o oposto do padrão secretório. Além disso, várias formas graves (ex.: Shigella, EHEC) envolvem citotoxinas; portanto, dizer “sem relação com toxinas” é conceitualmente incorreto. Não é a apresentação “comum” das toxinfecções por enterotoxinas.

Diagnóstico e conduta prática:

  • Diagnóstico é clínico; fezes sem sangue/leucócitos sugerem padrão secretório.
  • Exames (coprocultura, testes de antígeno) são reservados para quadros graves, surtos, imunossupressos ou falha terapêutica (OMS/Ministério da Saúde).
  • Tratamento de escolha: Reidratação oral (SRO) ou venosa; zinco em crianças; antibiótico apenas em indicações específicas.

Pegadinhas:

  • “Febre alta”, “sangue/leucócitos fecais” → pense em invasão/citotoxina (não é o padrão comum de enterotoxinas secretórias).
  • “Apenas náusea/mal-estar” → insuficiente para toxinfecção típica.

Fontes: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Acute infectious diarrhea); OMS – manejo de diarreias agudas; Ministério da Saúde – Doenças transmitidas por alimentos.

Gabarito: D

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