João, um recém-nascido de 38 semanas de idade gestacional, n...

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Q3366095 Medicina
João, um recém-nascido de 38 semanas de idade gestacional, nasceu por parto cesáreo eletivo, sem intercorrências. Durante o exame físico na primeira hora de vida, apresentava cianose leve, frequência respiratória de 72 irpm e saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente, sem melhora significativa com oxigenoterapia. O sopro cardíaco não era evidente, mas havia hiperfonese da segunda bulha cardíaca em foco pulmonar. O teste do coraçãozinho revelou SpO2 pré-ductal de 94% e pós-ductal de 87%, com diferença de 7%. Diante do quadro clínico, foi realizada uma radiografia de tórax, que mostrou aumento da trama vascular pulmonar e área cardíaca aumentada. O recém-nascido foi encaminhado para um serviço especializado para realização de ecocardiograma, que confirmou o diagnóstico de transposição das grandes artérias, uma cardiopatia congênita crítica com circulação em paralelo.
Com base nesse caso, qual das alternativas a seguir representa a conduta correta para a estabilização inicial e manejo do recém-nascido antes da transferência para um centro de referência?
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O caso descreve um recém-nascido com transposição das grandes artérias (TGA), cardiopatia congênita crítica que cursa com cianose não responsiva à oxigenoterapia, necessidade de mistura sanguínea pelo canal arterial e sinais clínicos compatíveis (cianose, diferenciação de saturações, hiperfonese de 2ª bulha).

Justificativa para a alternativa correta (E): O diagnóstico de cardiopatia congênita crítica é indicado por cianose persistente, teste do coraçãozinho alterado (diferença > 3% nas SpO2 pré e pós-ductal) e RX sugestivo. Segundo o Ministério da Saúde (Guia para Profissionais da Saúde – Cap. 24 – Cardiopatias Congênitas):
“Tratamento imediato: 1. Uso imediato de prostaglandina E1 (acesso venoso calibroso, preferencialmente central)… 3. Solicitar ecocardiograma para confirmação do diagnóstico.”

A prostaglandina E1 (PGE1) mantém o canal arterial aberto, garantindo mistura sanguínea entre as circulações sistêmica e pulmonar, fundamental para a sobrevida até cirurgia corretiva. Monitorização rigorosa e encaminhamento urgente à referência complementam o manejo inicial ideal.

Análise das alternativas incorretas:

A) Erro conceitual: Oxigenoterapia em altas concentrações geralmente não melhora a cianose na TGA e pode até fechar o canal arterial se usada de forma indiscriminada, agravando a hipoxemia.

B) Abordagem inadequada: Diuréticos e inotrópicos não são indicados na fase aguda da TGA, pois o problema é a mistura insuficiente de sangue, não sobrecarga volêmica ou falência cardíaca isolada.

C) Generalização imprópria: Embora PGE1 seja essencial, nem sempre ocorre estabilização total apenas com esta medida. É necessária monitorização próxima e preparo para outras intervenções (como septostomia atrial) se a mistura não for suficiente.

D) Conduta errada: Intubação não é sistemática na TGA e pode ser prejudicial se a ventilação excessiva baixar o débito cardíaco. Só é indicada se houver falência respiratória refratária.

Dica de prova: Fique atento a palavras absolutas ("sempre", "todos") e ao reconhecimento de cianose central não responsiva à O2 como sinal-chave de cardiopatia crítica.

Resumo: Diante de TGA, inicie PGE1, monitorize, evite excesso de O2, e encaminhe para centro especializado.

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