Lucas, um recém-nascido prematuro extremo de 27 semanas de ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3366093 Medicina
Lucas, um recém-nascido prematuro extremo de 27 semanas de idade gestacional, com peso ao nascer de 900 g, foi internado na UTI neonatal com suporte ventilatório devido à síndrome do desconforto respiratório. No terceiro dia de vida, apresenta sinais de hipoglicemia, hipoalbuminemia e dificuldade na progressão da nutrição enteral, sendo indicada nutrição parenteral (NP) para garantir suporte nutricional adequado. Ao discutir a prescrição da NP, a equipe médica debate quais as diretrizes mais adequadas para a infusão de nutrientes.
Assinale a alternativa que apresenta a estratégia correta para a administração da NP a um recém-nascido pré-termo como Lucas.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: suporte nutricional do recém-nascido pré-termo extremo por nutrição parenteral (NP) precoce, completa e monitorizada, para evitar catabolismo, hipoglicemia/hipoalbuminemia e déficits de crescimento.

Gabarito: C — A NP deve ser iniciada o mais precocemente possível (idealmente nas primeiras 6–24 h) e completa (glicose, aminoácidos e lipídios). Isso previne balanço nitrogenado negativo, perda ponderal excessiva e deficiência de ácidos graxos essenciais. Diretrizes ESPGHAN/ESPEN/ESPR, AAP e SBP recomendam: iniciar aminoácidos e lipídios no D0, com oferta de glicose desde o início, ajustando-se conforme tolerância e monitorização.

Conduta prática (resumo das diretrizes):
- Glicose: iniciar com GIR 4–6 mg/kg/min (≈ 5–8 g/kg/dia) e ajustar pela glicemia; evitar >10–12 mg/kg/min.
- Aminoácidos: iniciar 2–3 g/kg/dia e avançar a 3–4 g/kg/dia para anabolismo e síntese proteica.
- Lipídios: iniciar 1–2 g/kg/dia no D0, avançando até 3 g/kg/dia se triglicerídeos adequados (geralmente <200–250 mg/dL).
- Monitorização: glicemia, eletrólitos (Na, K, Ca, Mg, P), triglicerídeos, balanço hídrico; função hepática periódica; reavaliar após ajustes.

Análise das alternativas incorretas

A – Adiar a NP por 72 h é inadequado. O prematuro extremo tem reservas mínimas e alto gasto; adiar aumenta catabolismo, hipoglicemia e perda de massa magra. Risco de hiperglicemia/hipertrigliceridemia é manejado por titulação de GIR e lipídios, não por atraso do início (ESPGHAN, UpToDate).

B – Evitar lipídios na 1ª semana está errado. Prematuros precisam de ácidos graxos essenciais desde o D0 para prevenir deficiência em poucos dias. Evidência mostra segurança com monitorização de triglicerídeos; emulsões mistas (ex.: com óleo de peixe) podem ser benéficas (AAP/ESPGHAN).

D – Monitorar apenas na 1ª semana é equívoco. A homeostase não está garantida; sempre que houver mudanças na NP, interocorrências ou avanço de dieta, reavaliar. Nos primeiros dias, a checagem é diária; depois, em intervalos regulares enquanto houver NP (SBP/UpToDate).

E – Excluir lipídios por medo de colestase é conceito incorreto. A colestase associada à NP é multifatorial (imaturidade hepática, sepse, ausência de estímulo enteral, duração da NP). Não se previne suprimindo lipídios; pelo contrário, a oferta adequada e o uso de emulsões modernas podem reduzir o risco (ESPGHAN/AAP). Sem lipídios, há risco de deficiência essencial e pior crescimento.

Dica de prova: em prematuro extremo, procure por palavras-chave como “início precoce”, “NP completa (glicose+AA+lipídios)”, “monitorização contínua”. Desconfie de alternativas que proponham adiar início, excluir lipídios ou reduzir monitorização.

Referências essenciais: Diretrizes ESPGHAN/ESPEN/ESPR (nutrição parenteral neonatal), AAP Committee on Nutrition, Sociedade Brasileira de Pediatria (documentos de NP neonatal), UpToDate – Parenteral nutrition in preterm infants.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo