Em relação ao tratamento empírico das infecções neonatais, q...
Gabarito comentado
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Tema central: Tratamento empírico da sepse neonatal precoce (até 72h de vida). É crucial diferenciar sepse precoce (transmissão vertical, flora materna) da tardia (nosocomial/comunitária), pois muda a escolha do antibiótico.
Alternativa correta: C — O esquema empírico recomendado para sepse neonatal precoce é ampicilina + aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina). A ampicilina cobre Streptococcus do grupo B e Listeria monocytogenes, enquanto o aminoglicosídeo cobre E. coli e outros Gram-negativos, com efeito sinérgico. Este é o regime indicado por diretrizes da AAP/Red Book, CDC (prevenção e manejo da EOS por GBS), SBP e UpToDate, com de-escalonamento conforme culturas.
Por que as demais estão incorretas?
A. “Basear-se exclusivamente em sintomas” é inadequado. Embora marcadores isolados (hemograma, PCR) tenham sensibilidade limitada, o manejo se apoia em fatores de risco maternos (corioamnionite, RPMo >18h, febre intraparto, GBS) + avaliação clínica + hemocultura (padrão-ouro) e, quando indicado, líquor. A escolha empírica deve refletir a epidemiologia local, não apenas sintomas. (AAP/CDC/SBP)
B. Na sepse precoce os agentes típicos são Streptococcus do grupo B e E. coli, derivados do trato genital materno. S. aureus e Pseudomonas são mais comuns na tardia nosocomial. Afirmar que a precoce é “ambiental hospitalar” está conceitualmente errado. (Red Book, UpToDate)
D. “Cefalosporinas de 3ª geração são sempre preferíveis” é falso. Em RN, especialmente muito baixo peso, seu uso amplo aumenta seleção de resistência, candidemia e enterocolite; ceftriaxona pode deslocar bilirrubina (risco de kernicterus) e causar precipitação biliar. Aminoglicosídeos, em cursos curtos com monitorização, têm perfil seguro e são primeira linha. Cefotaxima pode ser usada em situações específicas (suspeita de meningite, contraindicação a aminoglicosídeo), não “sempre”. (SBP, AAP/Red Book)
E. Vancomicina não é de primeira linha em “todos os suspeitos”. Deve ser reservada conforme estewardship: alto risco de MRSA/CoNS (sepse tardia, cateter, surtos) ou confirmação laboratorial. Uso indiscriminado promove resistência e nefrotoxicidade. (Diretrizes de stewardship neonatal; UpToDate)
Estratégia de prova: identifique as palavras-chave “precoce” e “empírico”. Associe imediatamente: precoce = ampicilina + aminoglicosídeo. Desconfie de opções que: (1) confundem flora precoce com nosocomial; (2) superindicam cefalosporinas/vancomicina sem critério; (3) desconsideram culturas e fatores de risco.
Resumo prático (protocolo): Suspeita de EOS → colher hemocultura (± líquor se estável) → iniciar ampicilina + gentamicina/amicacina → reavaliar em 36–48h e ajustar conforme cultura/clinâmica. (AAP/CDC/SBP)
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