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                                       Texto 3

                O acidente em rio Doce, Mariana-MG


Tudo é superlativo na tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas. Os títulos, porém, não são motivos de orgulho. O desastre ambiental é o pior da história do Brasil, superando com folga casos como o césio -137, em 1987, em Goiânia, e o vazamento de rejeitos químicos da Indústria Cataguases de Papel e Celulose Ltda, em 2003, na região da Zona da Mata mineira. Ele também é o maior do mundo em volume envolvendo outras barragens de mineração. [...] “É um desastre impressionante em todos os aspectos (o de Mariana). Com certeza está entre as dez piores tragédias ambientais da história”, diz o coordenador do projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano. Para ele, o cenário que foi visto após a passagem da onda de lama e rejeitos é comparável ao de grandes conflitos. “É como se fosse a devastação de uma guerra. O dano é extenso e deverá ficar como uma cicatriz marrom, que marcará Minas Gerais para sempre a partir de agora”.

Mesmo maltratado já há muito tempo, o rio Doce era considerado de alta resiliência, mas, dessa vez, a sua resistência não foi suficiente para salvá-lo. “Em alguns pontos, ele sempre foi turvo, já apresentava odores, características de contaminação, mas conseguia se manter. Só que ele não tem condições de lidar com um volume desses”, avalia o professor Ricardo Mota Coelho, coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “A quantidade de rejeitos equivale a nove lagoas da Pampulha”, compara.

Para a coordenadora da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, o rompimento decretou a falência do rio, que já vinha agonizando em toda sua extensão. “O desmatamento e a poluição já estavam cobrando seu preço para o meio ambiente do rio Doce. Mas, agora, com essa tragédia, ele morreu de vez”, afirma.

Disponível em:<http://www.otempo. com.br/polopoly_fs/1.1180473. 1449081357!/desastres.htm> . Acesso em: 11 out. 2017

No trecho “Mesmo maltratado já há muito tempo, o rio Doce era considerado de alta resiliência”, a palavra mesmo indica:
Alternativas

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✔ Gabarito comentado:

Tema central: Interpretação de texto focada no valor semântico do termo “mesmo” no contexto de uma oração concessiva. Em gramática, concessão indica oposição ou contraste entre fatos.

Justificativa da alternativa correta (C): O termo “mesmo”, em “Mesmo maltratado já há muito tempo, o rio Doce era considerado de alta resiliência”, funciona como advérbio concessivo. Ou seja, estabelece uma ideia oposta entre: (1) o rio estar maltratado e (2) ser considerado resiliente. Assim, “mesmo” equivale a “embora” ou “apesar de”. Segundo Bechara e Cunha & Cintra, esse uso de “mesmo” exprime oposição entre as ideias do período. Portanto, a alternativa C — “uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado” — é a correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) “O que mantém suas características essenciais.” Errado. “Mesmo” aqui não significa preservação de características, mas sim ressalva/desafio ao fato negativo.

B) “Uma possibilidade de comparação de igualdade das águas do rio.” Incorreto. Apesar de “mesmo” poder, em outros contextos, indicar igualdade ("ele fez o mesmo que eu"), não é esse o valor empregado no texto.

D) “O que acabou de ser enunciado.” Inadequado. “Mesmo” não tem sentido anafórico (retomando informação). Está acrescentando uma informação concessiva e não fazendo referência ao dito anteriormente.

Estratégia para concursos: Sempre observe o contexto do termo na frase, identificando se introduz oposição, condição, causa, tempo etc. Palavras como “mesmo”, “ainda que”, “embora”, quando abrindo orações, frequentemente indicam concessão. Isso é crucial para evitar pegadinhas de sentido.

Obras de referência: Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) destaca que “mesmo” pode equivaler a “embora”, e Cunha & Cintra mencionam seu uso como elemento concessivo.

Resumo: “Mesmo” no trecho aponta para oposição — principal característica de uma oração concessiva.

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Comentários

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LETRA C

 

 

 Pleiteia, SENHOR, com aqueles que pleiteiam comigo; peleja contra os que pelejam contra mim.

 

tem o sentido de embora ( oposição).

embora maltratado, conseguia manter suas águas

Figura de linguagem Hipérbato (inversão sintática). Caso coloque ela na ordem "normal", consegue-se ser a concessão/ oposição:
"
O rio Doce era considerado de alta resiliência mesmo (embora) maltratado já há muito tempo"

 

Gab: C

MAS CONCESSÃO NÃO É DIFERENTE DE OPOSIÇÃO?

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