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Com base no mesmo assunto
Ano: 2022
Banca:
Fundação FAPEC
Órgão:
UFGD
Prova:
Fundação FAPEC - 2022 - UFGD - Bibliotecário – Documentalista |
Q4262742
Português
Texto associado
A “Carta ao leitor” é a última seção a ser
escrita, apesar de ser a primeira a aparecer na
revista. E é a mais difícil de redigir. É oferecer-se
ao julgamento dos outros – nosso inferno, como
diria Jean Paul Sartre.
Imaginar que alguém possa nos julgar – e
condenar – por algo dito é assustador. Sempre
comentei com colegas de magistério que, de
todas as matérias, Redação é a mais complicada.
A Matemática é exata, confiável. A História,
factual (ou pelo menos costumava ser assim...).
A Biologia também é segura. Há disputas entre
criacionistas e evolucionistas, mas o pouquinho
aprendido sempre foi terreno firme para
caminhar.
A Redação, por outro lado, só é exata em
certa medida: mais do que se imagina; menos do
que se gostaria. Há critérios que condicionam
uma correção mais justa. Mas sempre há um quê
de opinião de quem lê. [...] E, por maior que seja
a competência e a habilidade de quem lê,
ninguém convence o autor de que a correção não
é pessoal. Em algumas vezes até pode ser. Mas
nunca como se imagina. Redigir é, sem dúvida,
difícil – não porque escrever seja difícil, mas
porque o julgamento do outro pode ser duro
demais.
Se, nas escolas, onde existe certa relação
de confiança entre discentes e docentes, é assim,
como será [...] numa empresa? Por isso fizemos
uma análise de como está o português dentro
dos escritórios. É para “maximizar nosso
trabalho”, já que isso “agrega”...
Uma coisa que com certeza não “agrega”
é a censura. O artigo de Milton Francisco trata
desse forte método de controle [...] e de sua
influência sobre a música. O tema continua na
conversa que Andréa Neiva teve com o professor
Osvaldo Cesquim, da Universidade de São Paulo,
ainda que o foco seja o impacto da censura sobre
a linguagem e a Educação no Brasil.
Se a conversa a respeito de censura não
causar polêmica, o perfil do gramático Napoleão
Mendes de Almeida deve trazer a antiquíssima
discussão sobre “erros” e “desvios” de volta às
nossas páginas. Discutir, afinal, tem como
premissa a existência de diferenças –
equilibradas, pelo bem da harmonia, e
respeitadas, pelo bem da civilidade. Só assim se
trava o bom debate.
(SEGURA, Luciano Ricardo. Carta ao leitor.
Discutindo Língua Portuguesa, ano 2, nº 9, p. 3, 200?.
Com supressões e adaptações. Grifos nossos.)
Considerado o valor semântico ou a
função sintático-semântica da(s) oração
(orações) subordinada(s), está correta a
alternativa: