Paciente do sexo feminino, 54 anos, hipertensa há 9 anos, pr...

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Q2732298 Medicina

Paciente do sexo feminino, 54 anos, hipertensa há 9 anos, procura o médico com queixa de cefaleia atípica, a qual refere ter relação com o aumento da pressão arterial (PA), que já vem mal controlada há mais de um ano, desde que perdeu um filho e parou de fazer uso regular dos seus medicamentos antihipertensivos. Lembra que observa valores próximos a 150 100 mmHg, registrados em esfigmomanômetro digital doméstico. Não tem outras queixas e o exame físico, assim como de fundo de olho, estão normais. A PA da consulta foi de 150 90 mmHg. Além de considerar a perda familiar da paciente como fator exacerbador da doença e de orientar medidas não farmacológicas para o bom controle pressórico, o médico deve prescrever

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Tema central: Esta questão aborda abordagem clínica da hipertensão arterial sistêmica (HAS), focando em adesão ao tratamento, reconhecimento de situações de emergência e manejo sintomático da cefaleia em paciente hipertensa estável.

Justificativa da alternativa C (correta):

A paciente apresenta hipertensão conhecida e atualmente descompensada por baixa adesão terapêutica, desencadeada por um importante estressor. Sua pressão arterial (PA) de 150 × 90 mmHg, ausência de sintomas sugestivos de lesão aguda de órgãos-alvo e exame físico normal descartam a necessidade de intervenções emergenciais. O foco deve ser reestabelecer o controle pressórico, com especial atenção ao retorno dos medicamentos anti-hipertensivos, conforme recomendam as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão – 2020: “O tratamento da hipertensão deve ser individualizado, com ênfase na adesão ao tratamento e no controle adequado da PA”. A queixa de cefaleia, sem sinais de gravidade, deve ser tratada sintomaticamente com analgésicos, sem necessidade de recursos mais invasivos.

Análise crítica das demais alternativas:

  • A) A prescrição de ansiolíticos não é recomendada sem avaliação psiquiátrica formal, pois não há diagnóstico seguro de transtorno ansioso e pode mascarar sintomas relevantes ou criar dependência.
  • B) Nifedipino oral para observação só deve ser indicado em urgência hipertensiva (pressão ≥ 180 × 120 mmHg com sintomas), o que não ocorre neste caso. Não está alinhado aos protocolos atuais e pode causar queda acentuada da PA.
  • D) O uso de captopril oral sob observação também visa situações de crise hipertensiva e não justifica-se aqui (a paciente está assintomática e sem risco imediato).

Dicas para provas: Analise sempre se há sinais de emergência hipertensiva (sinais neurológicos, déficit visual, dor torácica, dispneia) e lembre-se: cefaleia isolada, sem outros achados, raramente configura indicação de abordagem urgente. Pegadinhas comuns envolvem o uso inadequado de anti-hipertensivo de ação rápida em situações estáveis, devendo sempre priorizar a regularização do tratamento crônico e sintomáticos.

Referências e evidências: Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão (2020), p. 67: “A maioria dos pacientes com elevação moderada da PA e sem sintomas agudos deve ser orientada quanto ao uso regular da terapêutica e ao acompanhamento ambulatorial.”

Conclusão: O manejo adequado é reorientar sobre adesão ao tratamento e tratar a cefaleia sintomaticamente. Não confunda HAS não controlada com urgência ou emergência hipertensiva sem justificativa clínica clara.

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