Quanto a aspectos de pontuação, está correto o que se afirm...
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Ano: 2021
Banca:
CONTEMAX
Órgão:
Prefeitura de Granito - PE
Prova:
CONTEMAX - 2021 - Prefeitura de Granito - PE - Assistente Social |
Q4264361
Não definido
Texto associado
TEXTO I
GATES E JOBS
Quando as órbitas se cruzam
Em astronomia, quando as órbitas de duas
estrelas se entrecruzam por causa da interação
gravitacional, tem-se um sistema binário. Historicamente,
ocorrem situações análogas quando uma era é moldada
pela relação e rivalidade de dois grandes astros
orbitando: Albert Einstein e Niels Bohr na física no século
XX, por exemplo, ou Thomas Jefferson e Alexander
Hamilton na condução inicial do governo americano. Nos
primeiros trinta anos da era do computador pessoal, a
partir do final dos anos 1970, o sistema estelar binário
definidor foi composto por dois indivíduos de grande
energia, que largaram os estudos na universidade,
ambos nascidos em 1955.
Bill Gates e Steve Jobs, apesar das ambições
semelhantes no ponto de convergência da tecnologia e
dos negócios, tinham origens bastante diferentes e
personalidades radicalmente distintas. À diferença de
Jobs, Gates entendia de programação e tinha uma mente
mais prática, mais disciplinada e com grande capacidade
de raciocínio analítico. Jobs era mais intuitivo, romântico,
e dotado de mais instinto para tornar a tecnologia usável,
o design agradável e as interfaces amigáveis. Com sua
mania de perfeição, era extremamente exigente, além de
administrar com carisma e intensidade indiscriminada.
Gates era mais metódico; as reuniões para
exame dos produtos tinham horário rígido, e ele chegava
ao cerne das questões com uma habilidade ímpar. Jobs
encarava as pessoas com uma intensidade cáustica e
ardente; Gates às vezes não conseguia fazer contato
visual, mas era essencialmente bondoso.
“Cada qual se achava mais inteligente do que o
outro, mas Steve em geral tratava Bill como alguém
levemente inferior, sobretudo em questões de gosto e
estilo”, diz Andy Hertzfeld. “Bill menosprezava Steve
porque ele não sabia de fato programar.” Desde o
começo da relação, Gates ficou fascinado por Jobs e com
uma ligeira inveja de seu efeito hipnótico sobre as
pessoas. Mas também o considerava “essencialmente
esquisito” e “estranhamente falho como ser humano”, e
se sentia desconcertado com a grosseria de Jobs e sua
tendência a funcionar “ora no modo de dizer que você era
um merda, ora no de tentar seduzi-lo”. Jobs, por sua vez,
via em Gates uma estreiteza enervante.
Suas diferenças de temperamento e
personalidade iriam levá-los para lados opostos da linha
fundamental de divisão na era digital. Jobs era um perfeccionista que adorava estar no controle e se
comprazia com sua índole intransigente de artista; ele e
a Apple se tornaram exemplos de uma estratégia digital
que integrava solidamente o hardware, o software e o
conteúdo numa unidade indissociável. Gates era um
analista inteligente, calculista e pragmático dos negócios
e da tecnologia; dispunha-se a licenciar o software e o
sistema operacional da Microsoft para um grande número
de fabricantes.
Depois de trinta anos, Gates desenvolveu um
respeito relutante por Jobs. “De fato, ele nunca entendeu
muito de tecnologia, mas tinha um instinto espantoso
para saber o que funciona”, disse. Mas Jobs nunca
retribuiu valorizando devidamente os pontos fortes de
Gates. “Basicamente Bill é pouco imaginativo e nunca
inventou nada, e é por isso que acho que ele se sente
mais à vontade agora na filantropia do que na tecnologia”,
disse Jobs, com pouca justiça. “Ele só pilhava
despudoradamente as ideias dos outros.”
(ISAACSON, Walter. Steve Jobs: a biografia. São Paulo:
Companhia das Letras, 2011. p. 189-191. Adaptado)
Quanto a aspectos de pontuação, está correto o que
se afirma na alternativa: