“Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantad...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Crônicas de uma infância
Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente).
Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho. Muitas eram bem parecidas, cinzas, restos de calçadas e de asfalto. Um ou outro torrão de terra mais enrijecido acabava passando pela coleção também. Não sei se é pela modificação da paisagem urbana ou pela mudança da paisagem da minha memória, mas a sensação que tenho é a de que tínhamos mais praças, árvores e calçadas de terra naquela época. (...)
Até que um dia, caminhando pela calçada, encontrei uma pedra linda! Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.
Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante, como se fosse desejada por outras pessoas e eu um privilegiado por achá-la primeiro. Guardei-a junto das outras, inicialmente, mas ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada; comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente. Colocava na palma, virava-a, admirava-a de todos os ângulos, girando nas mãos. Era o item raro da minha coleção.
Pouco tempo depois, quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos, quase uma dor.
Quando reparei com cuidado, estava com a mão toda cortada. A minha pedra mais linda não era uma pedra, era um caco de vidro, talvez de uma garrafa esquecida que teve uma noite incrível e foi atirada longe em algum momento ou algo tipo. Linda e perigosa...
Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...
E passei a ter mais cuidado com aquilo que me encanta os olhos. Sem saber, aquilo pode te ferir... Às vezes, tão profundamente que pode ser tarde demais.
SIMONE, Renan de. Crônicas de uma infância. Disponível em <https://renandesimone.com/2025/11/28/cronicas-de-uma-infancia/>.
“Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.”
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: D
Fundamento decisivo: A questão cobra a identificação do sentido contextual de “translúcida” no trecho “Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.”; nesse contexto descritivo, o adjetivo se refere à qualidade óptica do objeto, ligada à passagem parcial de luz, o que exclui as demais alternativas por incompatibilidade semântica.
- Localize o campo semântico em que a palavra aparece: aqui, a sequência descritiva é visual, não de tato, forma ou dureza.
- Em questão de sinonímia, teste se a palavra da alternativa pode substituir a destacada sem trocar o tipo de sentido expresso no trecho.
- Use o contexto próximo como confirmação de sentido: a revelação de que era “um caco de vidro” reforça a leitura ligada à translucidez.
- Não elimine uma alternativa correta por diferença técnica fina se ela trouxer termo diretamente equivalente no próprio conjunto, como “transluzente”.
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
transparente e translúcido não são sinônimos porém no texto como fala levemente dá a ideia de que translúcido pode ser levemente transparente
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo