Em relação ao narrador do texto “Crônicas de uma infância”...

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Q3839119 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônicas de uma infância


    Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente).


    Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho. Muitas eram bem parecidas, cinzas, restos de calçadas e de asfalto. Um ou outro torrão de terra mais enrijecido acabava passando pela coleção também. Não sei se é pela modificação da paisagem urbana ou pela mudança da paisagem da minha memória, mas a sensação que tenho é a de que tínhamos mais praças, árvores e calçadas de terra naquela época. (...)


    Até que um dia, caminhando pela calçada, encontrei uma pedra linda! Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.


    Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante, como se fosse desejada por outras pessoas e eu um privilegiado por achá-la primeiro. Guardei-a junto das outras, inicialmente, mas ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada; comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente. Colocava na palma, virava-a, admirava-a de todos os ângulos, girando nas mãos. Era o item raro da minha coleção.


    Pouco tempo depois, quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos, quase uma dor.


    Quando reparei com cuidado, estava com a mão toda cortada. A minha pedra mais linda não era uma pedra, era um caco de vidro, talvez de uma garrafa esquecida que teve uma noite incrível e foi atirada longe em algum momento ou algo tipo. Linda e perigosa...


    Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...


    E passei a ter mais cuidado com aquilo que me encanta os olhos. Sem saber, aquilo pode te ferir... Às vezes, tão profundamente que pode ser tarde demais.


SIMONE, Renan de. Crônicas de uma infância. Disponível em <https://renandesimone.com/2025/11/28/cronicas-de-uma-infancia/>.

Em relação ao narrador do texto “Crônicas de uma infância”, é correto afirmar que se trata de: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O trecho "Eu já fiz uma coleção de pedras." revela, de forma explícita, a primeira pessoa do discurso; somado ao fato de o narrador relatar vivências próprias, isso caracteriza narrador-personagem/autodiegético e resolve a questão em favor da alternativa A.

Tema central: foco narrativo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o texto é conduzido por um eu que relata fatos da própria infância. As marcas linguísticas de autorreferência mostram isso de forma direta: "Eu já fiz", "Para minha coleção", "Peguei-a rapidamente", "quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos" e "Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...". Não há separação entre quem narra e quem vive a experiência narrada.
B
Errada
Está errada porque o texto não adota terceira pessoa narrativa, mas primeira pessoa do singular. Além disso, não há onisciência sobre outras personagens; a narração se limita à perspectiva subjetiva do próprio eu narrador.
C
Errada
Está errada porque o narrador não é alguém próximo do personagem principal: ele próprio é esse personagem. As marcas de autorreferência eliminam a hipótese de amigo, colega ou parente narrando a experiência alheia.
D
Errada
Está errada porque não existe distanciamento entre narrador e personagem. O centro da narrativa é o próprio "eu", não uma pessoa com quem o narrador teria tido contato em algum momento.
E
Errada
Está errada porque o texto mantém uma única voz narrativa. O uso constante de "eu" organiza todo o relato, e o trecho reflexivo de alcance geral não cria pluralidade de narradores nem depoimentos múltiplos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre narrador-personagem e outras possibilidades, especialmente narrador em terceira pessoa onisciente ou voz coletiva, mas o critério decisivo está nas marcas explícitas de primeira pessoa.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro os pronomes, possessivos e verbos que mostram quem fala: "eu", "meu/minha", "peguei", "decidi" definem o foco narrativo.
  • Verifique se quem narra também participa dos fatos; se participa e fala de si, trata-se de narrador-personagem.
  • Não confunda comentário subjetivo ou reflexão geral com onisciência; onisciência não se prova por opinião do narrador.
  • Se o texto mantém uma única enunciação em primeira pessoa do singular, descarte alternativas que falem em terceira pessoa ou várias vozes.

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Comentários

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GAB- A o texto , ja da a resposta no inicio do primeiro parágrafo

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