Mulher, 28 anos, em tratamento quimioterápico para linfoma d...
Gabarito comentado
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Tema central: Neutropenia febril em paciente oncológica (quimioterapia) e manejo inicial empírico antibiótico de alto risco.
Análise do caso clínico:
Paciente jovem, em quimioterapia para linfoma de Hodgkin, apresentou febre (38,8°C), disúria e sinais de infecção. Os exames laboratoriais demonstraram leucopenia importante (Leuco 800/mm³), anemia (Hb 8,8 g/dL), trombocitopenia (Plaquetas 77.000) e procalcitonina bastante elevada (10), todos indicativos de neutropenia febril de alto risco. Presença de monilíase oral reforça a gravidade da imunossupressão.
Segundo as Diretrizes Nacionais (Ministério da Saúde e SBP, seção Manejo do paciente de alto risco):
“Paciente com neutrófilos abaixo de 1.000 células/mm³, em uso recente de quimioterapia, torna-se candidato imediato a antibioticoterapia empírica de largo espectro.”
Por que a alternativa B) Cefepime + Vancomicina está correta?
O cefepime (cefalosporina de 4ª geração) cobre eficientemente gram-negativos (inclusive Pseudomonas), e sua associação com vancomicina amplia o espectro para cocos gram-positivos resistentes (ex: S. aureus resistente à meticilina), essencial na presença de mucosite oral ou risco para infecção cutânea/cateter. Este é o padrão-ouro para pacientes de alto risco de complicações.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Cefepime: monoterapia pode ser utilizada apenas em casos sem evidências de lesão mucosa, sinais de instabilidade ou foco infeccioso associado. Neste caso, há mucosite oral relevante e procalcitonina alta — requer regime combinado.
- C) Piperacilina + Tazobactam: também é opção potente de monoterapia, mas não cobre adequadamente S. aureus resistente, como exige a presença de lesão mucocutânea relevante.
- D) Ciprofloxacino + Amoxicilina Clavulanato: regime reservado para pacientes de baixo risco, clinicamente estáveis e sem sinais de mucosite, não se aplicando ao presente quadro.
Dica de prova: Sempre avalie imunossupressão profunda (neutrófilos < 500), sinais locais de infecção, presença de mucosite e instabilidade. Essas informações levam à terapia combinada e de maior espectro.
Evidência: O manejo segue as Diretrizes SBP/Ministério da Saúde: “Pacientes com neutropenia febril de alto risco e comprometimento de mucosas oral/gastrointestinal devem receber associação de antimicrobianos de amplo espectro, incluindo cobertura para gram-positivos resistentes.”
Resumo: Indicação formal da combinação de cefepime + vancomicina pela gravidade da neutropenia e risco infeccioso elevado, em concordância com protocolos e evidências atuais (ex: Harrison’s, UpToDate, SBP).
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