Mulher, 39 anos, branca evoluindo com dor abdominal e icter...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3366731 Medicina
Mulher, 39 anos, branca evoluindo com dor abdominal e icterícia sem queixa de febre, sudorese ou perdas sanguíneas. Apresentava-se descorada, ictérica e levemente taquicárdica. Cotagem de glóbulos brancos: 2.450/mm3 , com diferencial normal, hemoglobina 5,5 g/dL, 180.000 plaquetas/ mm3 , VCM 72 fl, RDW 26, reticulócitos 14% (0,5-2,3%), bilirrubina total 7,5 mg/dL (0,10-1,2 mg/dL), bilirrubina indireta 6,2 mg/dL (0,10-1,0 mg/dL), AST 213 U/L,DHL 1500 U/L, teste da antiglobulina direta negativo. Diminuição de níveis séricos de haptoglobina, e citometria de fluxo mostrou ausência de expressão de CD 55 e CD 59 em 67% dos glóbulos vermelhos.
Qual a conduta terapêutica mais apropriada para o caso?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Hemólise intravascular por Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), com definição terapêutica.

Raciocínio clínico-diagnóstico: Anemia grave com reticulocitose, bilirrubina indireta e DHL elevadas, haptoglobina baixa e teste de Coombs (TAD) negativo apontam hemólise intravascular. A ausência de CD55 e CD59 em 67% dos eritrócitos na citometria confirma HPN (defeito adquirido de PIGA → perda de âncoras GPI → falta de reguladores do complemento). Leucopenia discreta sugere sobreposição com falência medular/AA. O VCM baixo pode ocorrer por perda crônica de ferro pela hemoglobinúria, não descaracterizando HPN.

Conduta de escolha: Eculizumabe (Alternativa C). É um anticorpo monoclonal anti-C5 que bloqueia a ativação terminal do complemento, reduzindo hemólise, necessidade transfusional e, sobretudo, risco de trombose (principal causa de morte na HPN). Diretrizes e revisões (Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate) recomendam inibidores de C5 (eculizumabe ou ravulizumabe) como terapia de primeira linha. Antes de iniciar, vacinar contra Neisseria meningitidis (preferir esquemas ACWY e B) e considerar profilaxia antibiótica conforme risco. Suporte: ácido fólico, reposição de ferro quando indicado, transfusões se necessário e anticoagulação se trombose.

Pegadinhas e estratégia de prova: Em hemólise, diferencie AIHA de HPN: TAD negativo e CD55/CD59 ausentes favorecem HPN. Não se deixe confundir pelo VCM baixo (ferropriva secundária à hemoglobinúria).

Análise das alternativas:

  • A – Rituximabe: anti-CD20; útil em anemia hemolítica autoimune e linfomas. Não bloqueia complemento terminal; não é terapia de primeira linha para HPN.
  • B – “Elranatanabe”: provável referência a elranatamab, biespecífico anti-BCMA×CD3 para mieloma múltiplo. Sem papel na HPN.
  • C – Eculizumabe: correta; inibidor de C5, padrão-ouro na HPN, reduz hemólise e trombose.
  • D – Epcoritamabe: biespecífico CD20×CD3 para linfoma B (DLBCL), não atua na via do complemento.
  • E – Tocilizumabe: anti-IL-6R para AR, tempestade de citocinas/CRS; não trata hemólise por complemento.

Referências rápidas: Harrison’s (cap. de Anemias Hemolíticas; HPN); UpToDate: “Clinical manifestations and diagnosis of PNH” e “Treatment of PNH”.

Conclusão prática: Em hemólise intravascular com TAD negativo e CD55/CD59 ausentes, pense HPN e indique eculizumabe com vacinação antimeningocócica prévia.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo