A neutropenia febril (NF) deve ser considerada uma emergênc...

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Q3366729 Medicina
A neutropenia febril (NF) deve ser considerada uma emergência médica, cujo diagnóstico precoce e tratamento antimicrobiano empírico são fundamentais para o bom desfecho dos casos.
Assinale a alternativa correta.
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Tema central: Neutropenia febril (NF) é emergência infecciosa em onco-hematologia. Diagnóstico: febre (≥38,3°C única ou ≥38,0°C por ≥1h) + neutropenia (ANC <500/mm³ ou queda prevista <500). Conduta: início imediato de antibiótico empírico com cobertura antipseudomonas. Risco: estratificar (MASCC, CISNE) para definir local de tratamento e esquema.

Alternativa correta: E — Ajustar antimicrobianos conforme antibiograma quando houver foco/isolamento. Se vancomicina foi iniciada empiricamente sem evidência de infecção por Gram-positivos (sem bacteremia por MRSA, celulite, pneumonia, mucosite grave, infecção de cateter, hipotensão), desescalar e suspender em 48–72h para reduzir resistência e toxicidade. Baseado em diretrizes IDSA/ASCO e Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas?

  • A — Afirmar que 70–75% têm hemoculturas positivas é falso. Bacteremia documentada ocorre em ~20–30% dos episódios; muitos permanecem sem identificação microbiológica. Embora Staphylococcus coagulase-negativo seja frequente entre Gram-positivos, o percentual citado está superestimado. (IDSA; Harrison’s)
  • BAntifúngico empírico inicial não é “sempre” indicado. Em NF, antifúngico é reservado a febre persistente após 4–7 dias de antibiótico em alto risco ou quando há evidência clínica/radiológica de fungo. Profilaxia com quinolona não implica iniciar antifúngico de rotina. (IDSA/ASCO/ESMO)
  • CAlemtuzumabe e CAR-T nos últimos 2 meses conferem alto risco (linfopenia profunda, citopenias prolongadas, hipogamaglobulinemia), não baixo risco. (ASCO/IDSA; UpToDate)
  • D — Erro de lógica: diz que é baixo risco se apresentar “uma das” condições. Na prática, exige-se conjunto de critérios (estabilidade hemodinâmica, ausência de comorbidades graves, neutropenia prevista ≤7 dias, boa performance) e MASCC ≥21. Um único item isolado não define baixo risco. (IDSA; ESMO)

Conduta essencial (resumo prático):

  • Alto risco: cefepime, piperacilina-tazobactam ou carbapenem IV (cobertura antipseudomonas).
  • Baixo risco: pode ser ambulatorial (ex.: ciprofloxacino + amoxicilina-clavulanato), evitando quinolona se já usou profilaxia recente.
  • Vancomicina: só com indicações específicas; retirar em 48–72h se sem evidências de Gram-positivos.
  • Antifúngico: considerar se febre persiste 4–7 dias em alto risco ou sinais de fungo.

Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos (“sempre”) e de critérios soltos (“uma das”). Em NF, pense em: início rápido de antibiótico, antipseudomonas, estratificação de risco e desescalonamento guiado por cultura.

Referências: IDSA/ASCO Febrile Neutropenia Guidelines; ESMO; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.

Gabarito: E.

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