Mulher 21 anos de idade, com anemia ferropriva grave causad...

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Q3366722 Medicina
Mulher 21 anos de idade, com anemia ferropriva grave causada por menorragia. Sua perda de sangue menstrual geralmente dura mais de 1 semana. Revela um episódio de perda contínua de sangue após a extração dentária e sangramento intenso após uma amigdalectomia (para a qual ela precisou de uma transfusão de sangue).Ambas as complicações ocorreram 2 dias após um procedimento inicialmente sem complicações. Seu irmão teve uma complicação hemorrágica após uma cirurgia no joelho. Não toma nenhum medicamento, exceto sulfato ferroso oral.
Laboratorialmente apresenta hemoglobina de 7,5 g/dL, VCM de 74 fl, ferritina de 5 mcg/L, contagem de leucócitos de 4,4 × 109 /L com contagem diferencial normal e plaquetas de 272 × 109 /L. Seu tempo de protrombina é de 11,3 segundos (normal <14,0 segundos) e seu tempo de tromboplastina parcial ativada é de 34 segundos (normal <35 segundos). A atividade do fator de von Willebrand é de 98%, e a função plaquetária é normal.
Qual é o diagnóstico mais provável?
Alternativas

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Tema central: A questão aborda distúrbios hereditários da coagulação, sendo fundamental reconhecer manifestações clínicas, exames laboratoriais e raciocínio diagnóstico para identificar o déficit específico envolvido.

Análise da alternativa correta – Deficiência do fator XIII (Alternativa B):
O ponto-chave é o sangramento tardio (dias após procedimentos), menorragia intensa e hemorragia pós-operatória significativa, com TP, TTPa, função plaquetária e fator von Willebrand normais. Isso caracteriza distúrbio na estabilização do coágulo, papel do fator XIII (“fator estabilizador da fibrina”).
Segundo a Federação Mundial de Hemofilia (WFH, 2013):
“A deficiência de fator XIII é um distúrbio raro da coagulação que pode resultar em sangramentos graves, incluindo hemorragias pós-operatórias e menorragia. O diagnóstico é confirmado por testes específicos de fator XIII, pois TP e TTPa geralmente estão normais.”
A história familiar de sangramento reforça a hipótese. O diagnóstico exige alta suspeição clínica nos casos de sangramento inexplicado com coagulação convencional normal.

Por que as demais alternativas estão INCORRETAS?

  • A) Deficiência do fator XI: Cursaria, geralmente, com prolongamento do TTPa e manifestaria sangramento imediato ou precoce, não tardio.
  • C) Doença de von Willebrand tipo 1: O fator de von Willebrand está normal. Manifestaria sangramento mais mucocutâneo e precoce, frequentemente acompanhado de alteração laboratorial.
  • D) Disfibrinogenemia: Haveria alteração nos tempos de coagulação (TP e/ou TTPa frequentemente prolongados), pois a fibrina seria funcionalmente deficiente.
  • E) Deficiência de fator V: Espera-se prolongamento de TP e TTPa (ambos dependem do fator V), o que não foi observado.

Orientação para provas: Atenção a detalhes como “sangramento tardio” e “exames de coagulação normais”. Questões sobre deficiência do fator XIII costumam ser pegadinha, pois o diagnóstico depende da suspeição e, muitas vezes, exclusão das causas mais comuns.

Resumo prático: Frente a histórico de sangramento tardio, exames de coagulação normais e ausência de disfunção plaquetária ou de von Willebrand, pense em deficiência de fator XIII.

Fontes: Federação Mundial de Hemofilia (2013); revisões em hematologia clínica; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª edição.

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