Paciente do sexo masculino, 43 anos, apresentou faringite, t...
O leucograma nesse contexto mais, habitualmente, exibe
Gabarito comentado
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Gabarito: A — leucocitose com linfocitose
Tema central: Coqueluche por Bordetella pertussis em adulto, com foco no padrão do leucograma. Embora seja infecção bacteriana, a coqueluche cursa tipicamente com leucocitose importante à custa de linfócitos, um achado clássico de prova.
Por que a alternativa A é correta? A B. pertussis produz a toxina pertussis, que aumenta AMP cíclico via inibição da proteína Gi e impede a migração de linfócitos para os tecidos. Resultado: linfócitos “ficam presos” no sangue, gerando linfocitose absoluta, por vezes acentuada (pode ultrapassar 20–30 mil/mm³). Esse padrão, paradoxal para infecção bacteriana, é descrito em referências como Harrison’s, UpToDate e CDC/WHO.
Como interpretar o caso clínico: Paroxismos de tosse (5–10 min), escarro branco escasso, cianose/chiado e PCR positivo apontam para coqueluche na fase paroxística. Em adultos, o “guincho” inspiratório pode faltar; a chave é a tosse paroxística prolongada. A pergunta direciona para o achado laboratorial típico: leucocitose com linfocitose.
Análise das alternativas incorretas:
- B) Leucocitose com monocitose: Monocitose não é característica da coqueluche; sugere processos crônicos/inflamatórios distintos. Na coqueluche, o destaque é a linfocitose.
- C) Leucopenia e linfopenia: Incompatível com o efeito da toxina pertussis. Linfopenia poderia aparecer em viroses específicas ou imunossupressão; aqui ocorre o oposto (linfocitose).
- D) Leucocitose e eosinofilia: Eosinofilia remete a alergias, parasitoses ou doenças eosinofílicas. Não é o padrão da coqueluche.
- E) Leucocitose com desvio à esquerda: Padrão típico de infecções bacterianas comuns (p. ex., pneumonias bacterianas), com neutrofilia. A coqueluche é uma pegadinha clássica: apesar de bacteriana, predomina linfocitose, não neutrofilia.
Dica de prova (pegadinha): Diante de “bactéria = neutrofilia”, desconfie em coqueluche. Lembre da toxina pertussis e do “paradoxo linfocitário”.
Diagnóstico e manejo (resumo útil): Confirmação por PCR (mais sensível nas primeiras semanas), cultura e sorologia conforme fase da doença. Tratamento de escolha: macrolídeos (azitromicina/claritromicina), especialmente na fase catarral; isolar caso e rastrear contatos. Diretrizes: Harrison’s Principles of Internal Medicine, UpToDate (Pertussis: clinical features/diagnosis/treatment), CDC Pink Book, OMS/Ministério da Saúde.
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