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Q3105745 Medicina
Paciente de 27 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, foi atendida com trauma de alta energia em membro superior esquerdo. Apresenta fratura exposta da porção diafisária do úmero esquerdo com extensas lacerações nos tecidos moles (maior que 10 cm) com cobertura óssea adequada, perfusão preservada em extremidades e lesão completa do nervo radial.
Tendo o caso clínico precedente como referência, julgue o próximo item. 

Trata-se do tipo IIIC de Gustilo e Anderson.  
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Classificação de Gustilo-Anderson nas fraturas expostas e sua aplicação prática no trauma de úmero diafisário.

Gabarito: E – errado

Justificativa: Na classificação de Gustilo-Anderson, o tipo IIIC é qualquer fratura exposta com lesão arterial que exige reparo, independentemente da extensão do dano de partes moles. No caso, há perfusão preservada e cobertura óssea adequada, logo não há critério para IIIC. Dada a alta energia e laceração extensa (>10 cm) com cobertura preservada, trata-se de Gustilo IIIA. A lesão completa do nervo radial não muda o tipo para IIIC, pois este depende de lesão vascular com necessidade de reparo.

Como raciocinar na prova:

- Foque em três chaves: cobertura óssea (adequada = IIIA; exposição/perda com retalho/flap = IIIB), perfusão arterial (lesão com reparo = IIIC) e energia/contaminação.

- Tamanho do ferimento por si só não define IIIC. Lesão nervosa também não.

Análise das alternativas:

- C (certo): Incorreta. Chama o caso de IIIC, mas não há lesão arterial a reparar. Confunde lesão nervosa com vascular.

- E (errado): Correta, pois a afirmação “é IIIC” está equivocada. O padrão é compatível com Gustilo IIIA.

Critérios resumidos de Gustilo-Anderson (aplicação prática):
- IIIA: alta energia, extensa lesão, cobertura óssea adequada.
- IIIB: perda de cobertura, stripping periosteal, precisa de flap.
- IIIC: lesão arterial com reparo, independentemente do resto.

Conduta essencial em fraturas expostas (tipo III): antibiótico EV imediato (cefalosporina de 1ª + aminoglicosídeo; se contaminação por solo, adicionar cobertura para anaeróbios), profilaxia antitetânica, desbridamento e irrigação precoces e estabilização óssea. Lesão radial completa em fratura exposta deve ser explorada e reparada no mesmo tempo do desbridamento quando há suspeita de secção. (Referências: UpToDate; Orthopaedic Trauma Association; BOA/BAPRAS Open Fracture Standards; Gustilo & Anderson, JBJS).

Pegadinhas: não confundir nervo com artéria; “ferida grande” ≠ IIIC; “perfusão preservada” afasta IIIC. “Cobertura adequada” diferencia IIIA de IIIB.

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