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Q3105742 Medicina
Paciente de 27 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, foi atendida com trauma de alta energia em membro superior esquerdo. Apresenta fratura exposta da porção diafisária do úmero esquerdo com extensas lacerações nos tecidos moles (maior que 10 cm) com cobertura óssea adequada, perfusão preservada em extremidades e lesão completa do nervo radial.
Tendo o caso clínico precedente como referência, julgue o próximo item. 

A classificação de Tscherne tem sido considerada mais acurada e específica do que a classificação de Gustilo como preditora de infecção em fraturas expostas. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: classificação de fraturas expostas e sua capacidade de predizer infecção. O caso descrito é uma fratura exposta diafisária do úmero, alta energia, ferida >10 cm, cobertura óssea possível e perfusão preservada (compatível com Gustilo IIIA e Oestern–Tscherne III). A pergunta compara o poder preditivo de infecção entre Gustilo e Tscherne.

Gabarito: C – Certo

Justificativa: A gravidade da lesão de partes moles é o principal determinante de infecção em fraturas expostas. A classificação Oestern–Tscherne (para fraturas expostas) foca detalhadamente em extensão do dano cutâneo, muscular, contaminação e energia, variáveis diretamente associadas ao risco infeccioso. Já a Gustilo–Anderson, embora clássica, apresenta baixa reprodutibilidade e depende do momento/experiência do avaliador, sendo frequentemente subclassificada na admissão.

Estudos mostraram melhor correlação entre escalas que qualificam o dano de partes moles e o risco de infecção, quando comparadas à Gustilo (ex.: maior acurácia de sistemas focados em partes moles como Oestern–Tscherne e OTA-OFC para predizer complicações infecciosas). Diretrizes e revisões (UpToDate; Rockwood and Green’s; publicações da OTA) destacam as limitações de Gustilo para predizer infecção e a importância de classificações com ênfase nas partes moles.

Estratégia de prova: identifique no enunciado marcadores de lesão de alta energia e comprometimento de partes moles (>10 cm, laceração extensa, contaminação). Isso favorece sistemas que valorizam partes moles (Tscherne/OTA-OFC) ao discutir risco de infecção.

Por que a alternativa “E – errado” não procede?

  • Erro conceitual: assumir que Gustilo é sempre superior em predição. Embora seja padrão para comunicação e conduta inicial, sua capacidade preditiva de infecção é limitada pela variabilidade interobservador.
  • Foco inadequado: infecção decorre sobretudo da desvascularização/contaminação dos tecidos moles, aspecto melhor estratificado pelo Tscherne.

Aplicação ao caso: Ferida >10 cm, alta energia, cobertura possível e perfusão preservada → Gustilo IIIA; em Oestern–Tscherne, corresponde a grau III, que indica alto risco infeccioso por dano extenso de partes moles.

Pegadinha: muitos candidatos marcam “errado” por considerar a Gustilo o “padrão-ouro” para tudo. Lembre-se: é a mais usada para classificar e guiar conduta inicial, mas não é a melhor para predizer infecção, onde o grau de lesão de partes moles (Tscherne/OTA-OFC) tem desempenho superior.

Referências rápidas: UpToDate (Open fractures: evaluation and management); Rockwood and Green’s Fractures in Adults; Orthopaedic Trauma Association (OTA) – Open Fracture Classification e revisões sobre confiabilidade da Gustilo e predição de infecção.

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