Paciente de 57 anos de idade foi vítima de tiro de espingar...
Considerando esse caso clínico, julgue o item que se segue.
O paciente do caso clínico em tela se enquadra no grupo de isquemia leve.
Gabarito comentado
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Tema central: classificação da isquemia aguda de membro em trauma vascular penetrante e tomada de decisão rápida. Em provas, lembre dos “6 Ps” (dor, palidez, pulso ausente, parestesia, paralisia, poiquilotermia) e da classificação de Rutherford (I a III) para estratificar gravidade.
Por que a alternativa correta é “E – errado”: o enunciado afirmava “isquemia leve”. Entretanto, os achados de parestesia, déficit motor e ausência de pulso ao Doppler caracterizam, segundo Rutherford, pelo menos isquemia IIb (ameaça imediata): deficiência sensitiva além dos pododáctilos e déficit motor, com Doppler arterial inaudível e membro potencialmente salvável apenas com revascularização imediata. Isquemia “leve” corresponderia a I–IIa (sem déficit motor e, no máximo, hipoestesia distal). Logo, dizer que é leve é falso.
Estratégia de prova: viu déficit motor em membro isquêmico? Classifique como ≥ IIb. Isso exclui “leve”, indica ameaça imediata e necessidade de intervenção urgente. A ausência de pulso no Doppler e o enchimento capilar lento reforçam o quadro.
Análise das alternativas:
- C – certo: incorreta. Confunde sinais de ameaça imediata (parestesia + déficit motor + Doppler arterial ausente) com quadros leves. Em Rutherford I/IIa não há déficit motor e a perda sensitiva é mínima.
- E – errado: correta. O enunciado está errado porque o caso representa isquemia ao menos moderada a grave (IIb), não leve.
Diagnóstico e exames: presença de sinais duros de lesão arterial (pulso ausente, déficit neurológico isquêmico) dispensa exames demorados: indicação é exploração cirúrgica imediata. Se não houvesse sinais duros e o paciente estivesse estável, a angio-TC seria o exame de escolha. Índice tornozelo-braquial pode auxiliar quando disponível, mas não deve atrasar a conduta.
Conduta recomendada: seguir ATLS (controle de hemorragia, reposição volêmica), antibiótico e antitetânica, revascularização urgente (shunt temporário/repair definitivo) e considerar fásciotomia pela energia do ferimento e tempo de isquemia. Heparinização sistêmica é usual, exceto se sangramento ativo incontrolável.
Referências úteis: Society for Vascular Surgery – classificação de Rutherford; UpToDate: “Evaluation and management of penetrating extremity trauma”; ATLS 10ª ed.; EAST/SVS guidelines para trauma vascular periférico.
Alternativa correta: E – errado.
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