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Q3105730 Medicina
Paciente, 73 anos de idade, vítima de colisão carro contra carro, com trauma em coluna cervical refere mecanismo de flexo-extensão exagerado. Após a realização dos exames de imagem, foi verificada uma fratura de processo odontoide tipo II de Anderson e D’Alonzo.

A respeito desse caso clínico e dos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item subsequente. 


As fraturas do processo odontoide correspondem à fratura cervical mais comum na população com mais de 70 anos de idade.


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Tema central: fraturas do processo odontoide (dens) em idosos, especialmente após mecanismo de flexo-extensão, como quedas da própria altura ou colisões leves a moderadas. O caso descreve uma fratura tipo II de Anderson e D’Alonzo (na base do dens), a mais comum e com maior risco de pseudoartrose.

Gabarito: C – certo.

Justificativa: Em pacientes com ≥70 anos, as fraturas do processo odontoide são as fraturas cervicais mais frequentes, superando as de C1 (Jefferson) e as subaxiais. Isso decorre de osteopenia/osteoporose, degeneração discal e quedas de baixa energia, que geram forças de flexo-extensão concentradas em C1–C2. Revisões e diretrizes (UpToDate; AO Spine; AANS/CNS) ressaltam que o dens é o segmento mais acometido nos idosos e que a fratura tipo II é a mais prevalente e de maior taxa de não consolidação.

Classificação de Anderson e D’Alonzo (essencial para a prova):
- I: ápice do dens (rara, geralmente estável).
- II: base do dens (mais comum; alto risco de pseudoartrose por suprimento vascular precário).
- III: estende-se ao corpo do C2 (melhor prognóstico de consolidação).

Diagnóstico (quando a questão exigir): radiografias podem sugerir, mas TC cervical é o padrão para definir traço e deslocamento; RM se déficit neurológico ou suspeita de lesão ligamentar (ligamento transverso).

Tratamento (resumo prático): tipo II em idosos pode ser manejada com imobilização rígida (colar) em pacientes frágeis/baixo risco, porém há alta taxa de não união. Cirurgia reduz pseudoartrose: parafuso odontoide anterior (se fratura redutível/alinhada) ou artrodese C1–C2 posterior (Goel-Harms) quando há cominuição, osteoporose importante ou irredução. Evitar halo em idosos pelo risco de complicações. Referências: UpToDate; AO Spine; AANS/CNS guidelines.

Por que “E – errado”? Porque nos idosos as fraturas de C2 (dens) são as mais comuns; não são as subaxiais (C3–C7) nem necessariamente Jefferson. Em adultos jovens predominam traumas de alta energia e fraturas subaxiais; em idosos, mecanismos de baixa energia acometem C1–C2, especialmente o dens.

Estratégia de prova: viu idoso + flexo/extensão + queda/colisão → pense em fratura do dens, sobretudo tipo II. Fique atento à pegadinha de generalizar “cervical baixa” como mais comum em todas as idades.

Fontes de referência: UpToDate (C2 odontoid fractures in older adults); AO Spine Principles; AANS/CNS Guidelines for the Management of Odontoid Fractures; Orthopaedic Knowledge Update – Spine.

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