“É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo em panela velha....

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Q3837130 Português
Formação do educador

        Sonho com uma escola em que se cultivem pelo menos três coisas.

        Primeiro, a sabedoria de viver juntos: o olhar manso, a paciência de ouvir, o prazer em cooperar. A sabedoria de viver juntos é a base de tudo o mais.

        Segundo, a arte de pensar, porque é a partir dela que se constroem todos os saberes. Pensar é saber o que fazer com as informações. Informação sem pensamento é coisa morta. A arte de pensar tem a ver com um permanente espantar-se diante do assombro do mundo, fazer perguntas diante do desconhecido, não ter medo de errar porque os saberes se encontram sempre depois de muitos erros.

        Terceiro, o prazer de ler. Jamais o hábito da leitura, porque o hábito pertence ao mundo dos deveres, dos automatismos: cortar as unhas, escovar os dentes, rezar de noite. Não hábito, mas leitura amorosa. Na leitura amorosa entramos em mundos desconhecidos e isso nos faz mais ricos interiormente. Quem aprendeu a amar os livros tem a chave do conhecimento.

        Mas essa escola não se constrói por meio de leis e parafernália tecnológica. De que vale uma cozinha dotada das panelas mais modernas se o cozinheiro não sabe cozinhar? É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo em panela velha. O cozinheiro está para a comida boa da mesma forma como o educador está para o prazer de pensar e aprender. Sem o educador o sonho da escola não se realiza.
(...)

         Imagine que você quer ensinar a voar. Na imaginação tudo é possível. Os mestres do voo são os pássaros. Aí você aprisiona um pássaro numa gaiola e pede que ele o ensine a v

        Marshal McLuhan disse que a mensagem, aquilo que se comunica efetivamente, não é o seu conteúdo consciente, mas o pacote em que a mensagem é transmitida. “O meio é a mensagem”. Se o meio para se aprender o voo dos pássaros é a gaiola, o que se aprende não é o voo, é a gaiola. (...)

ALVES, Rubem. Formação do educador. Disponível em
<https://revistaeducacao.com.br/2023/08/31/formacao-educador-rubem-alves/> .
“É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo em panela velha.”
Em relação ao emprego da palavra destacada no trecho acima, é correto afirmar que ela apresenta o sentido de:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em “É o cozinheiro que faz a comida boa mesmo em panela velha.”, o critério decisivo é o valor semântico-contextual de “mesmo”, que, nesse trecho, introduz concessão: a ação ocorre apesar de uma condição desfavorável. A paráfrase fiel é “apesar de a panela ser velha”, o que conduz diretamente à alternativa C.

Tema central: valor concessivo de mesmo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque “mesmo em panela velha” não expressa finalidade, propósito ou objetivo. O trecho não admite paráfrase por “a fim de”. A expressão indica uma condição desfavorável superada, não a meta da ação.
B
Errada
Está errada porque “panela velha” não é a causa de a comida ser boa. O trecho não diz que a comida fica boa por causa da panela; ao contrário, mostra que a qualidade da comida se mantém apesar dessa limitação.
C
Certa
A alternativa C está correta porque, no trecho dado, “mesmo” não indica identidade, confirmação nem reforço; ele marca superação de obstáculo circunstancial. A ideia é que a comida boa é feita apesar da limitação material indicada por “panela velha”. Esse sentido é reforçado também pelo contraste anterior entre utensílio moderno e competência do agente: o resultado depende do cozinheiro, ainda que o utensílio seja inferior ou antigo.
D
Errada
Está errada porque o valor de “mesmo” nesse contexto não é de confirmação nem de identidade, como em “a própria”. Esse uso seria outro, sem relação com a construção do trecho. Aqui, o que há é contraste entre limitação material e resultado alcançado, portanto concessão.
E
Errada
Está errada porque não há sentido de negação no trecho. A frase afirma a realização do fato — o cozinheiro faz a comida boa —, e “mesmo” não pode ser substituído por “jamais” sem destruir o sentido.
Pegadinha da questão
A banca explora a polissemia de “mesmo”: muitos candidatos associam a palavra automaticamente a reforço, identidade ou confirmação, mas aqui o valor correto é concessivo, definido pelo contexto.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique o sentido da palavra dentro da relação que ela cria no trecho, não pelo uso mais comum que você lembra dela isoladamente.
  • Teste uma paráfrase semântica fiel: se “mesmo” puder ser lido como “apesar de” ou “ainda que”, há valor concessivo.
  • Observe se o segmento após a palavra traz uma limitação ou condição contrária ao esperado que não impede o fato principal.

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Comentários

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eu li achando que fosse do tipo comida boa DE VERDADE

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