Embora me arraste ao nível do solo, não deixo de perceber na...
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo.
Não cometo esse erro tão comum de julgar os outros por mim. Acredito de bom grado que o que está nos outros possa divergir essencialmente daquilo que está em mim. Não obrigo ninguém a agir como ajo e concebo mil e uma maneiras diferentes de viver; e, contrariamente ao que ocorre em geral, espantam-me bem menos as diferenças entre nós do que as semelhanças. Não imponho a outrem nem meu modo de vida nem meus princípios; encaro-o tal qual é, sem estabelecer comparações. O fato de não ser continente não me impede de admirar e aprovar os Feuillants* e os capuchinhos que o são; pela imaginação ponho-me muito bem em sua pele e os estimo e honro tanto mais quanto divergem de mim. Aspiro particularmente a que julguem cada qual como é, sem estabelecer paralelos com modelos tirados do comum. Minha fraqueza não altera absolutamente o apreço em que deva ter quem possui força e vigor. Embora me arraste ao nível do solo, não deixo de perceber nas nuvens, por mais alto que se elevem, certas almas que se distinguem pelo heroísmo. Já é muito para mim ter o julgamento justo, ainda que não o acompanhem minhas ações, e manter ao menos assim incorruptível essa qualidade. Já é muito ter boa vontade, mesmo quando as pernas fraquejam.
*Ordem religiosa.
(Extraído de MONTAIGNE, Michel de. “Catão, o jovem”, Ensaios, trad. Sérgio Milliet, São Paulo, Nova Cultural, 1996, p. 213)
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto
Tema Central: A questão avalia principalmente a interpretação de textos, exigindo do candidato a compreensão de uma metáfora utilizada por Montaigne e a análise da relação semântica entre o “nível do solo” e “nas nuvens”.
Justificativa da Alternativa Correta (D):
A alternativa D – “Indica que a maior distância não impede o reconhecimento da posição do outro” – é a correta, pois Montaigne, ao afirmar que, embora esteja “ao nível do solo”, ainda assim percebe “nas nuvens” quem “se distingue pelo heroísmo”, reforça que a diferença (ou distância) de condição, posição ou qualidade não impede sua capacidade de perceber e valorizar os méritos dos outros. Isso é exemplo direto de coerência textual: as ideias estão relacionadas de forma lógica e clara.
Regra de ouro para interpretação: leve em conta sempre o sentido explícito e o implícito – aqui, a metáfora indica que a percepção admirativa independe de “altitude” social ou moral.
Análise das Alternativas Incorretas:
- A): Não se trata de advertência, mas de admiração; não há sequer referência à possibilidade de queda.
- B): Não há antagonismo entre humildade e orgulho. Montaigne valoriza quem está “nas nuvens”, não há reprovação.
- C): Não existe menção ou sugestão de mágoa. O texto demonstra reconhecimento desinteressado do valor alheio.
- E): Não há indício de que estar “preso ao solo” seja privilégio; é uma constatação de sua condição, sem ironia ou superioridade.
Destaques e Estratégias:
A pegadinha comum aqui é generalizar sentimentos negativos (orgulho, mágoa, privilégio) não presentes no texto. Lembre-se de buscar sempre o que está efetivamente dito e o que se pode depreender logicamente.
Segundo Bechara e Cunha & Cintra, coerência é a relação de sentido; coesão, o encadeamento formal. Este é um clássico caso de exame da coerência: quem interpreta corretamente percebe que Montaigne admite e respeita diferenças, sem se diminuir ou diminuir o outro.
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Comentários
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d)
indica que a maior distância não impede o reconhecimento da posição do outro.
Gabarito: Alt. D: Embora me arraste ao nível do solo, não deixo de perceber nas nuvens, por mais alto que se elevem, certas almas que se distinguem pelo heroísmo.
A conjunção concessiva (embora) tem a função de indicar uma oração contrária à oração principal: a posição inferior dele não é empecilho para perceber a posição superior de outros.
"Embora me arraste ao nível do solo, não deixo de perceber nas nuvens, por mais alto que se elevem, certas almas que se distinguem pelo heroísmo."
Embora ele esteja numa situação inferior aos outros, ele não deixa de perceber e reconhecer que outras pessoas estejam numa situação privilegiada por merecimento, porque esses se distinguem pelo heroísmo, ou seja, por sua força incansável e inabalável para chegar aonde estão: no topo, nas nuvens.
sugere que ele éuma cobra enquanto os outros passaros, mas como nao tem essa vai a DDDDD mesmo
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