Os animais venenosos e peçonhentos utilizam as toxinas fabr...

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Q3507696 Medicina
Os animais venenosos e peçonhentos utilizam as toxinas fabricadas por eles para se defender ou para caçar. No entanto, devido ao grande desenvolvimento demográfico, alguns deles têm provocado graves acidentes, o que tem alertado o sistema de saúde do país. As peçonhas podem ter diferentes formas de ação, como a neurotóxica, a proteolítica, a hemolítica, a coagulante ou a alergênica. (que provoca alergia). Considere os seguintes sintomas causados por peçonha de um animal: 1-paralisia muscular, visão turva, insalivação abundante e dificuldades de respiração e deglutição; 2 - forte ação local com necrose do tecido e hemorragias internas.

Animais que causam essas ações são, respectivamente, animais dos gêneros
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Tema central: reconhecer síndromes tóxicas de acidentes por animais peçonhentos e relacioná-las aos gêneros responsáveis. A chave é distinguir neurotoxicidade (compromete junção neuromuscular e bulbo) de ação proteolítico-hemorrágica (lesão tecidual local e coagulopatia).

Alternativa correta: E — Micrurus e Bothrops

- Micrurus (corais-verdadeiras) → síndrome neurotóxica: ptose, visão turva/diplopia, sialorreia, disfagia, fraqueza progressiva e falência respiratória. Fisiopatologia: α-neurotoxinas póssinápticas bloqueiam receptores nicotínicos; β-neurotoxinas (fosfolipases A2) causam bloqueio pré-sináptico. Geralmente pouca reação local.

- Bothrops (jararacas) → ação proteolítica/hemorrágica: dor, edema, necrose local; sistêmico com coagulopatia, sangramentos (gengival, urinário) e hemorragias internas. Fisiopatologia: metaloproteinases (dano endotelial/hemorragia), serinoproteases (consumo de fatores), fosfolipases (miotóxicas).

Fontes: Ministério da Saúde – Manual de Acidentes por Animais Peçonhentos; WHO Snakebite Guidelines; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.

Por que as demais não se aplicam

  • A) Loxosceles e Lasiodora: Loxosceles causa necrose cutânea e, às vezes, hemólise; não cursa com paralisia bulbar. Lasiodora (tarântula) costuma causar irritação/urticária por pelos urticantes; envenenamento sistêmico grave é raro.
  • B) Lonomia e Tityus: a ordem “respectivamente” não fecha. Tityus (escorpião) é neurotóxico/autonômico (sialorreia, sudorese, hipertensão), mas está na segunda posição. Lonomia causa coagulopatia hemorrágica com pouca reação local.
  • C) Latrodectus e Scolopendra: Latrodectus (viúva-negra) causa latrodectismo (dor, rigidez muscular, hipertensão), não paralisia flácida. Scolopendra (lacraia) provoca dor e edema locais, sem hemorragias internas típicas.
  • D) Lachesis e Lycosa: Lachesis é hemotóxica/proteolítica (poderia lembrar a 2ª síndrome), porém está na 1ª posição. Lycosa (aranha-lobo) causa quadro local leve, sem neuroparalisia.

Conduta essencial (prática): - Micrurus: suporte ventilatório precoce e soro antielapídico o quanto antes. - Bothrops: soro antibotrópico conforme gravidade, controle da coagulação, analgesia e cuidado da ferida. Diretrizes: Ministério da Saúde/OMS.

Dica de prova: a palavra “respectivamente” é a pegadinha. Associe 1) sinais neurológicos bulbares/respiratórios → Micrurus; 2) necrose + hemorragias → Bothrops, mantendo a ordem.

Gabarito: E

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