O uso do acento grave indicativo de crase em “...inerente à...

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Q3768300 Português
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A leitura atenta é uma forma de resistência. Em um mundo de notificações incessantes e manchetes que imploram por um clique rápido, o ato de mergulhar em um texto longo, de seguir uma argumentação complexa ou de se deixar envolver por uma narrativa bem construída tornou-se um gesto quase subversivo. A superficialidade é a norma; a profundidade, um desvio. O leitor contemporâneo, portanto, não é apenas aquele que decodifica palavras, mas aquele que, deliberadamente, escolhe o foco em detrimento da dispersão. É alguém que compreende que o conhecimento genuíno não é um produto de consumo rápido, mas o resultado de um processo que exige paciência, silêncio e uma boa dose de curiosidade. Essa postura é inerente à formação de um cidadão crítico, capaz de discernir entre fato e opinião, entre argumento e falácia.

(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. O avesso do mesmo. Folha de S.Paulo, 2018.)
O uso do acento grave indicativo de crase em “...inerente à formação de um cidadão crítico...” justifica-se pela:
Alternativas

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Tema central: Regência nominal, uso da crase e norma-padrão da Língua Portuguesa.

O enunciado explora a justificativa do uso da crase na expressão “inerente à formação de um cidadão crítico”. Para entender, é essencial conhecer dois conceitos-chave:

1) Regência Nominal: Alguns adjetivos exigem preposição para ligar seu complemento. O adjetivo “inerente” é um deles: segundo a norma-padrão (Bechara, Cunha & Cintra), quem é “inerente” é inerente a algo.

2) Uso da Crase: A crase aparece quando há a fusão da preposição “a” (exigida pela regência do termo anterior) com o artigo feminino “a” que antecede um substantivo feminino (“formação”). Exemplo: “Ela é dedicada à pesquisa.”

No trecho da questão: “inerente à formação...”, a preposição “a” (do adjetivo “inerente”) soma-se ao artigo feminino “a” (de “formação”), justificando o uso da crase (à).

Análise das alternativas:

  • A) Errada. Não existe regra que obrigue crase antes de todo substantivo abstrato derivado de verbo.
  • B) Errada. O verbo “ser” nesse contexto não exige preposição, pois não é transitivo indireto.
  • C) Errada. A concordância entre “inerente” e “formação” não determina o uso ou não de crase – trata-se de concordância, não de regência e fusão de preposição com artigo.
  • D) Errada. Não há locução adverbial de modo; “à formação” é complemento nominal, não adjunto adverbial.
  • E) Correta. A crase é exigida pela regência nominal do adjetivo “inerente” (que pede preposição “a”) + o artigo “a” de “formação”.

Dica para não errar: Sempre verifique se a palavra anterior exige preposição “a” e se a próxima é substantivo feminino que admite artigo. Se, ao trocar “formação” por um substantivo masculino (“curso”, por exemplo: “inerente ao curso”), não houver crase, está certo!

Referências essenciais: Bechara – Moderna Gramática Portuguesa e Cunha & Cintra – Nova Gramática do Português Contemporâneo, onde há orientações completas sobre regência nominal e uso da crase.

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Comentários

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Gab E.

E

A crase ocorre pela regência nominal do adjetivo "inerente", que exige a preposição "a" (quem é inerente, é inerente a algo). Essa preposição funde-se ao artigo definido feminino que acompanha o substantivo "formação". Trata-se da regra geral de fusão entre um termo regente e um termo regido feminino. Memorize: quando o nome (adjetivo, substantivo ou advérbio) exige a preposição "a" diante de palavra feminina com artigo, o acento grave é obrigatório.

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