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Q3192277 Medicina
No atendimento de uma luxação traumática do ombro, é fundamental reconhecer os diferentes tipos de deslocamentos e suas características específicas. Uma das luxações mais comuns do ombro envolve o deslocamento da cabeça do úmero para a frente da glenoide, sendo geralmente causada por quedas com o braço em extensão e rotação externa. A luxação descrita corresponde a:
Alternativas

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Tema central: Luxações do ombro — reconhecer o tipo de deslocamento pela direção da cabeça umeral, mecanismo de trauma e posição do membro.

Alternativa correta: C — Luxação anterior do ombro.

Por quê? É a luxação glenoumeral mais comum (≈85–95%). Ocorre tipicamente após queda com o braço em abdução, extensão e rotação externa, levando a deslocamento da cabeça do úmero para anterior e inferior à glenoide (subcoracoide). Achados clássicos: perda do contorno arredondado do ombro (“ombro em tábua”), proeminência do acrômio, membro mantido em leve abdução e rotação externa, dor intensa e limitação de movimentos. Avalie sempre o nervo axilar (sensibilidade no “sinal do distintivo”) e pulsos. Exames: radiografias AP + escápula-Y + axilar (essencial para diferenciar de posterior). Lesões associadas frequentes: Bankart (lábrum/glenoide) e Hill-Sachs (impacto posterolateral da cabeça umeral). Conduta: redução fechada precoce (técnicas como Stimson, Milch, Kocher com cautela) sob analgesia/sedação ou lidocaína intra-articular; radiografia pós-redução; tipoia em rotação interna por 1–3 semanas e reabilitação. Indicar cirurgia em instabilidade recidivante/defeitos ósseos significativos (ex.: Latarjet). Referências: UpToDate; AAOS; Rockwood & Matsen’s The Shoulder.

Análise das alternativas incorretas

A) Luxação acromioclavicular: não é luxação glenoumeral. Decorre de trauma direto no ombro, com “degrau” acromioclavicular e dor localizada; a cabeça do úmero permanece alinhada com a glenoide. Não corresponde ao mecanismo descrito.

B) Luxação posterior do ombro: rara (2–5%), típica de crises convulsivas/choque elétrico ou trauma em adução e rotação interna. Ombro “travado” em rotação interna; no RX AP pode haver “sinal da lâmpada”. Contrasta com a rotação externa e deslocamento anterior do caso.

D) Luxação inferior (luxatio erecta): braço fica fixo acima da cabeça por hiperabdução, com alto risco neurovascular. Não há no enunciado a posição em elevação extrema do membro.

E) Luxação multidirecional: quadro atraumático ou por microtraumas repetitivos, hiperlaxidão, instabilidade em mais de um plano (sulco positivo). Não se apresenta como evento traumático único com direção clara do deslocamento.

Dica de prova: frases-chave como “queda com braço em extensão e rotação externa” e “cabeça umeral à frente da glenoide” apontam para luxação anterior. Sempre peça a incidência axilar para diferenciar de luxação posterior e avalie nervo axilar antes e após a redução.

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