Um paciente sofreu uma fratura do escafoide, um dos ossos do...
Gabarito comentado
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Gabarito: A — Pseudoartrose
Tema central: Fratura do escafoide e suas complicações típicas. O escafoide tem vascularização retrógrada (ramos da artéria radial penetram distalmente e irrigam o polo proximal “de trás para frente”), o que torna o polo proximal vulnerável à isquemia. Além disso, a fratura mais comum ocorre na “waist” (istmo), região altamente solicitada mecanicamente. Essa combinação favorece retardo de consolidação e pseudoartrose.
Por que a alternativa A é correta? A “vascularização peculiar” do escafoide dificulta a consolidação, especialmente em fraturas do istmo e do polo proximal, levando com frequência à pseudoartrose (não união). Essa é a complicação mais comum em comparação com outras listadas. Diretrizes e textos de referência (UpToDate; Rockwood & Green’s Fractures in Adults; AO Surgery Reference) ressaltam que a não consolidação é consequência direta da irrigação retrógrada e da mobilidade local, sendo agravada por diagnóstico tardio, tabagismo e imobilização inadequada.
Estratégia de prova: Ao ver “vascularização retrógrada do escafoide” pense em pseudoartrose e necrose avascular. Se a pergunta pede a mais provável, escolha pseudoartrose; se enfatizasse “polo proximal” e “complicação temida”, poderia sugerir necrose avascular (não listada aqui).
Análise das alternativas incorretas:
B - Consolidação viciosa: Pode ocorrer (especialmente deformidade “humpback”) mas é menos frequente que a pseudoartrose; muitas fraturas do escafoide não deslocadas consolidam bem com imobilização adequada.
C - Osteomielite: Complicação rara em fraturas fechadas; geralmente associada a fraturas expostas ou infecção pós-operatória. Não decorre da “vascularização peculiar”.
D - Síndrome do túnel do carpo: Mais associada a fraturas do rádio distal ou condições crônicas; não é complicação típica de fratura do escafoide isolada.
E - Artrite reumatoide: Doença autoimune sistêmica, sem relação causal com trauma do escafoide.
Clínica e diagnóstico (resumo útil): Dor na tabaqueira anatômica, dor à compressão axial do polegar e à palpação do polo escafóide. Radiografias com incidências específicas do escafoide podem ser inicialmente normais; RM detecta fratura precocemente e TC avalia consolidação/alinhamento. Conduta: imobilização tipo thumb spica nas fraturas não desviadas; para desvios/polo proximal, considerar fixação com parafuso e, em pseudoartrose, enxerto ósseo (muitas vezes vascularizado) com fixação. Referências: UpToDate; BSSH; Rockwood & Green.
Dica final: “Escafoide = irrigação retrógrada → risco de pseudoartrose (mais comum) e de necrose avascular (mais temida no polo proximal)”.
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